Dinheiro
24/04/2008 - 14h54

Agricultores de países emergentes precisam de ajuda imediata, diz FAO

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da Folha Online

Dar aos fazendeiros dos países emergentes uma ajuda imediata para ampliar suas lavouras deveria ser o foco dos esforços para combater a crise global de abastecimento de alimentos, disse nesta quinta-feira o diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), Jacques Diouf.

Ele afirmou hoje que o encontro de líderes mundiais em Roma programado para os dias 3 a 5 de junho será a oportunidade para que o mundo possa repensar suas políticas e agir. "Os fatos são claros. Um, precisamos providenciar dinheiro e alimentos para que as pessoas possam ter o que comer e para reduzir os custos para os pobres, de modo que eles possam ter acesso aos alimentos", disse Diouf, segundo a agência de notícias Associated Press (AP). "Dois, temos de ajudar os agricultores a ter acesso a o que eles precisam para produzir."

Segundo ele, seria necessário US$ 1,7 bilhão para financiar essa ajuda. "Todos estão dizendo 'vamos alimentar as pessoas e vamos dar mais ajuda', o que, é claro, também é importante (...) Mas a atual safra e a próxima deveriam ser o foco neste momento", disse --acrescentando que, se não for assim, "estaremos perdendo o passo de novo".

Para evitar que mais uma safra seja perdida, ele disse que os países em desenvolvimento precisam ter acesso imediato a sementes, fertilizantes e rações para animais neste ano. "Se não ajudarmos os agricultores neste ano, o problema irá piorar."

A diretora do Programa Mundial de Alimentos da ONU (Organização das Nações Unidas), Josette Sheeran, disse nesta terça-feira (22) disse que a atual alta dos preços dos alimentos equivale a uma "tsunami silenciosa". O Banco Mundial, por exemplo, estima que a alta nos preços dos alimentos subiram 83% em três anos.

Ontem, Diouf afirmou que a atual crise é resultado de duas décadas de decisões políticas fracas. Apesar da situação da fome no mundo, o diretor-geral da FAO disse que há soluções. "Não trata-se de uma tragédia grega, na qual o destino é decidido pelos deuses e os humanos não podem fazer nada. Nós temos a habilidade de influenciar nosso futuro", disse.

Preços

Diouf disse que, apesar da demanda mundial maior por alimentos em tese ter de resultar em preços maiores para os produtos dos agricultores no mundo todo, isso não necessariamente seria benéfico. "Preços mais altos seriam vantajosos para agricultores em países em desenvolvimento apenas contando com certos fatores", como melhores instalações para estocagem, melhores sistemas de irrigação e melhores estradas para poder escoar a produção.

Além disso, disse Diouf, esses agricultores precisam de condições para embalar e conservar seus produtos a fim de garantir a qualidade para os consumidores. "essas condições, até o momento, não estão sendo atendidas."

Ele defendeu ainda o nivelamento da concorrência entre agricultores dos países em desenvolvimento e dos países desenvolvidos --que contam com subsídios dos respectivos governos. "Se damos subsídios aos agricultores nos países desenvolvidos (...) então demos também para os produtores dos países em desenvolvimento, a fim de termos posições iguais, ou cortemos os subsídios para todo mundo", afirmou.

A FAO prevê um aumento de 2,6% na produção de cereais neste ano. Diouf, porém, afirma que este número poderia aumentar de forma significativa nos próximos anos caso as grandes nações invistam em agricultura e auxílios agrícolas. "Nós temos falta de duas coisas: políticas e recursos. Eu espero que a crise atual nos dê tanto políticas quanto recursos."

 

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