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Dinheiro
24/04/2008 - 17h40

Brasil só terá medida para restringir exportação em "caso extremo", diz ministro

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LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) disse nesta quinta-feira que o país só adotará medidas para restringir a exportação de arroz em "casos extremos". De acordo com ele, este limite ainda não foi atingido. Pouco antes, o presidente da Comissão Setorial de Arroz, Francisco Schardong, disse que o anúncio de ontem fora um "mal-entendido".

Na quarta-feira, após anunciar a suspensão das vendas externas do estoque público, Stephanes afirmou que conversaria com produtores para suspender também as exportações privadas. O ministro mencionou, inclusive, a possibilidade de adotar barreiras para inibir a venda do produto.

"Não há intenção de adotar medidas restritivas em termos de taxação. No extremos, poderíamos ter que chegar a barreiras, mas este limite ainda não existe", afirmou Stephanes hoje.

O ministro disse, porém, que o governo vem pedindo aos produtores para que não venda seus estoques para o mercado externo. Segundo ele, os próprios fornecedores têm o interesse de manter o mercado brasileiro abastecido. "O grande mercado dos produtores de arroz é o Brasil. O governo reforçou esta tendência que eles já têm."

O ministro afirmou, ainda, que em teoria o país teria condições de exportar de 1 milhão a 1,5 milhão de toneladas de arroz por safra, já que o estoque do governo tem hoje 1,6 milhão de toneladas, e o das empresas privadas, mais 1,8 milhão. Anualmente, em média, o Brasil exporta 800 mil toneladas de arroz. "Nossa preocupação é que não passemos deste limite."

Stephanes explicou que as barreiras à exportação poderiam ser adotadas caso haja uma piora no cenário externo, o que colocaria em risco o abastecimento do país. "Isso só aconteceria caso a conjuntura mundial se agravasse, e chegássemos a um nível em que as exportações chegassem a comprometer o mercado interno."

Leilão

Como anunciado ontem pelo ministro, ocorrerá no dia 5 de maio o primeiro leilão de arroz. A medida foi a encontrada para tentar diminuir a pressão sobre os preços. Outros leilões ocorrerão, mas as datas ainda não foram definidas.

Foi fechado hoje que serão vendidas 55 mil toneladas, provenientes do estoque público. O objetivo é aumentar a oferta do produto no mercado interno e baixar o preço. O arroz a ser leiloado é da safra de 2005 e será oferecido por R$ 28 a saca com 50 quilos de arroz tipo 1, bem abaixo do preço de mercado, que está R$ 35.

Até fevereiro de 2009, final do ciclo da cultura, o Ministério da Agricultura estima que o mercado interno contará com 15,18 milhões de toneladas de arroz. O cálculo considera a produção de 11,95 milhões de toneladas da safra 2007/2008, o estoque inicial da safra, de 1,85 milhão de toneladas, e o estoque do governo, de 1,38 milhão de toneladas.

De acordo com o índice da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), só em abril houve uma alta de 36% do preço do arroz. No Rio Grande do Sul, o valor passou de R$ 23,58/50 kg, no dia 1º de abril, para R$ 32,06/50kg, no último dia 23. Segundo o CBOT (Chicago Board of Trade), maior bolsa de commodities agrícolas do mundo, a saca do arroz subiu, nos últimos três meses, de US$ 15,50 para US$ 24,46.

Antes do Brasil, a alta da demanda ao redor do mundo pelo produto --o que pressiona os preços-- já havia levado à suspensão parcial das vendas de tradicionais países exportadores da Ásia, como Camboja, Indonésia, Malásia, Cazaquistão, Vietnã, Egito e Índia.

 

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