Dinheiro
25/04/2008 - 07h02

Preço do arroz reverte tendência e já pode encerrar abril em alta, aponta Fipe

DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

O preço do arroz, que vem de queda no mês de março, dá sinais de reverter a tendência. Levantamento da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômica) divulgado nesta sexta-feira aponta para inflação de 2,99% do arroz na terceira prévia de preços do mês de abril em São Paulo. No índice cheio (média das últimas quatro apurações), no entanto, o índice ainda é negativo em 1,24%.

"O arroz continua em queda no índice cheio, de -1,24%, porém, na ponta, ele reverteu a tendência. Passou de -2,13% no levantamento anterior, na segunda quadrissemana, para 2,99% nesta quadrissemana", informou Márcio Nakane à Folha Online.

No IPC de março, que teve variação positiva de 0,31% nos preços apurados pela Fipe na cidade de São Paulo, o arroz ficou na sexta posição entre as maiores contribuições de queda do índice geral, com deflação de 1,23%. O produto ficou atrás de feijão (-12,38%), frango (-3%), alcatra (-3,13%), batata (-4,3%) e viagem de excursão (-1,48%).

"O arroz, especificamente, é a quinta maior contribuição de queda do índice geral [na terceira prévia de abril]. Ainda está comportado. Tem um pequeno descompasso aí. Mas como na ponta [última prévia], e também na ponta do produtor, já virou, a tendência é de reversão da trajetória de queda", afirma Nakane.

Segundo informou Nakane quando da divulgação do índice fechado de março, a tendência era de o arroz reforçar a queda de preços, já que na última apuração semanal do mês passado o produto apontava deflação de 1,76% (ainda mais acentuada que na média do mês, de -1,23%). No mês de abril, no entanto, o produto começa a desenhar trajetória ascendente. Em 12 meses encerrado em março, o produto ainda acumula alta de 7,66%.

Na última quarta-feira (23), o ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) informou a suspensão das vendas externas do estoque público e afirmou que conversaria com produtores para suspender também as exportações privadas. A medida foi anunciada em resposta ao aumento de preços do cereal no mercado internacional devido à alta na demanda.

Ontem, no entanto, Stephanes disse que o país só adotará medidas para restringir a exportação de arroz em "casos extremos". De acordo com ele, este limite ainda não foi atingido. Pouco antes, o presidente da Comissão Setorial de Arroz da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Francisco Schardong, disse que o anúncio de ontem fora um 'mal-entendido'.

Até fevereiro de 2009, final do ciclo da cultura, o Ministério da Agricultura estima que o mercado interno contará com 15,18 milhões de toneladas de arroz. O cálculo considera a produção de 11,95 milhões de toneladas da safra 2007/2008, o estoque inicial da safra, de 1,85 milhão de toneladas, e o estoque do governo, de 1,38 milhão de toneladas.

De acordo com o índice da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), só em abril houve uma alta de 36% do preço do arroz. No Rio Grande do Sul, o valor passou de R$ 23,58/50 kg, no dia 1º de abril, para R$ 32,06/50kg, no último dia 23. Segundo o CBOT (Chicago Board of Trade), maior bolsa de commodities agrícolas do mundo, a saca do arroz subiu, nos últimos três meses, de US$ 15,50 para US$ 24,46.

 

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