Governo argentino admite novo ciclo da economia com Carlos Fernández
da Efe, em Buenos Aires
O governo argentino reconheceu hoje que o ciclo de Martín Lousteau, que na última quinta renunciou ao cargo de ministro da Economia, estava "cumprido" e destacou a trajetória de Carlos Fernández, que o substituirá na pasta.
O novo ministro disse hoje que sua nomeação "não altera nada" na política econômica desenvolvida pelo governo de Cristina Fernández de Kirchner.
"Estou preocupado com a economia e com tudo o que acontece no país, mas com minha nomeação nada deve mudar", disse Carlos Fernández em breves declarações na porta de sua casa na periferia de Buenos Aires, onde uma multidão de jornalistas aguardava sua saída.
"Estou orgulhoso em trabalhar com este governo", afirmou antes de elogiar Lousteau, e de destacar sua boa relação com o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno.
Moreno --homem de extrema confiança de Cristina e de seu esposo e antecessor, Néstor Kirchner-- foi acusado por produtores agropecuários de pressões e intransigências nas negociações mantidas pelo governo com o campo para superar um conflito que recentemente levou a uma greve de três semanas.
Carlos Fernández, de 54 anos, é um economista do Partido Justicialista, especializado em finanças públicas e que até agora estava à frente de Administração Federal de Receita Pública (Afip), entidade que arrecada impostos.
Tido como um funcionário próximo ao ex-presidente Kirchner (entre 2003 e 2007), também esteve à frente do Ministério da Economia da província de Buenos Aires entre março e dezembro do ano passado. Carlos Fernández deve assumir o cargo às 19h (horário de Brasília).
Saída
O chefe do gabinete, Alberto Fernández, afirmou, à emissora "C5N", que Lousteau "alegou motivos pessoais" para justificar a decisão de deixar o cargo, e fez uma crítica ao agora ex-funcionário, que tinha apenas 36 anos quando foi apontado como ministro da Economia do governo de Cristina Kirchner, no fim do ano passado.
"Quando se é ministro do país há uma série de responsabilidades a serem cumpridas e muitas vezes os assuntos pessoais devem ficar em segundo plano e prevalecer os interesses gerais", ressaltou.
"Acima de qualquer projeto pessoal que tenha, o responsável nunca deve se esquecer de que é ministro e que defende outros interesses", apontou.
Alberto Fernández se referiu assim às divergências de Lousteau na forma como o governo lida com a inflação, um dos assuntos mais preocupantes da economia do país.
Fontes disseram que Lousteau renunciou após a chefe do Estado rejeitar uma proposta sua para o combate à inflação, que incluía medidas para "esfriar" a economia argentina, que desde 2003 cresce a uma taxa superior a 8% anual na média, após a severa recessão sofrida entre 1998 e 2002.
Neste sentido, o chefe do gabinete opinou que "esfriar a economia é tirar dinheiro das pessoas".
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