Dinheiro
25/04/2008 - 13h12

Lula diz que crise de alimentos é "passageira" e que petróleo afeta preços

WANDERLEY PREITE SOBRINHO
Colaboração para a Folha Online, em Campinas (SP)

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que a crise internacional alimentos é "passageira" e que os países desenvolvidos dizem uma "mentira deslavada" sobre o Brasil. Também reclamou que é preciso levar em conta a cotação do petróleo nos custos dos produtos agrícolas.

"O que acontece no mundo é que tem mais pobres comendo. Tem mais chineses, indianos, africanos, brasileiros comendo. E a produção de alimentos não cresceu proporcionalmente à demanda. Essa crise é passageira", afirmou o presidente, durante a cerimônia de assinatura para o início das obras do PAC, em Campinas.

Indiretamente, o presidente atribuiu responsabilidades pela alta dos alimentos aos países desenvolvidos, ao comentar sobre a fabricação de álcool a partir do milho, como praticado nos EUA. "Estão querendo fazer álcool de milho. Milho é alimento, quem come é galinha e porco. Se é ração animal, não pode fazer combustível", disse ele.

O presidente também afirmou que se conta uma "mentira deslavada" sobre o Brasil nas discussões sobre a alta das commodities. "As coisas mudaram porque o Brasil é o maior exportador de carne, soja, café, suco de laranja, biocombustível e álcool", disse ele.

"Quando o Brasil começa a disputar com os países desenvolvidos, alguns países dizem que a cana é produzida na Amazônia. Isso é uma mentira deslavada. Em comparação com 1975, o Brasil produz 4,5 vezes mais na mesma área", acrescentou.

"Nós vamos provar que vamos produzir combustível. Alimento é para encher nossa barriga", disse ainda, afirmando que o "veículo flex é a revolução da indústria automotiva mundial".

Lula ainda procurou contestar os críticos do biocombustível, que responsabilizam pela encarecimento dos preços dos alimentos. "Ninguém que critica o biocombustível critica o petróleo. É importante refletir o reflexo do preço do petróleo no transporte e insumos agrícolas", afirmou o presidente.

 

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