Dinheiro
25/04/2008 - 14h54

Entenda a crise dos alimentos

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da Folha Online

A recente alta nos preços dos produtos agrícolas foi motivada por uma série de fatores conjugados e se tornou uma crise mundial. O maior temor, além da falta de suprimentos, é que cresçam as revoltas populares pela falta de comida, o que já foi registrado em diversos países, como Haiti, Indonésia, Camarões e Egito. Nesse sentido, diversas instituições internacionais já se manifestaram, como ONU, Banco Mundial, FMI e Bird, por exemplo.

Entenda os principais motivos que desencadearam a crise:

Desenvolvimento global - A longa fase de prosperidade mundial, com especial força nos países emergentes, fez crescer significativamente o consumo de alimentos no mundo. Antes de se iniciar a atual crise de crédito nos Estados Unidos, o mundo não passava por uma crise financeira com dimensões globais desde o final da década de 1990.

Assim, os seguidos anos de calmaria deram condições para que o comércio exterior disparasse, o que gerou renda nos países mais pobres --estas nações são referência histórica tanto na produção de matérias-primas como para base de empresas multinacionais. Com mais dinheiro no bolso, a população desses países, entre eles Brasil e China, passou a consumir mais, sendo que os alimentos foram os primeiros produtos a terem seus consumos elevados, causando um descompasso entre oferta e demanda.

População - A população mundial está em franca expansão. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), passará de 6,5 bilhões de pessoas em 2005 para 8,3 bilhões em 2030 e 9 bilhões em 2050. O efeito do aumento do número de pessoas que se alimentam ganha ainda mais peso porque a maioria delas nasce na Ásia e na África, onde o consumo de alimentos cresce em ritmo mais rápido devido ao desenvolvimento econômico desses continentes.

Secas - Alguns dos principais produtores mundiais de alimentos, como o Brasil e a Austrália, passaram recentemente por fortes secas que atingiram a produção. Na Austrália a seca já perdura por seis anos, enquanto que o Brasil e o Leste Europeu tiveram problemas entre 2005 e 2006. Com a quebra de safra nesses países, os estoques foram reduzidos e agora estão perigosamente baixos devido ao aumento no consumo.

Petróleo - Assim como os alimentos, os preços de outras commodities (matérias-primas) também estão em alta. É o caso do petróleo. O produto está com seu preço em níveis recordes, o que causa impacto em toda a cadeia de produção e distribuição de alimentos. Quase todas as fazendas usam óleo diesel para movimentar as máquinas, e os fertilizantes possuem também diversos componentes vindos do petróleo. Além disso, o combustível mais caro eleva o preço do transporte dos alimentos para os centros consumidores, elevando o preço final da comida.

Especulação financeira - Quase todos os principais alimentos possuem mecanismos financeiros de compra e venda em um prazo pré-determinado, o que é chamado de mercado futuro. Nos últimos meses, os preços dos alimentos no mercado futuro dispararam devido à entrada de muitos investidores neste tipo de investimento. Eles apostam exatamente que estes preços irão crescer. Se isso ocorre, eles lucram, já que poderão vender o que têm a valores maiores do que o investido inicialmente.

Enfraquecimento do dólar - O dólar é a moeda usada para a cotação das commodities agrícolas em quase todos os principais mercados futuros. Como a moeda americana está em níveis históricos de queda ante outras moedas fortes, como o euro, os investidores forçam a alta do preço dos alimentos no mercado futuro para "compensar" essa desvalorização.

Alta nos custos - A produção de carnes em geral recebe duplo impacto. Seus custos disparam não só pela alta do petróleo, mas pela própria alta no preço dos alimentos, já que alguns deles --em especial o milho-- são usados na ração dos animais.

Biocombustíveis - Diversas entidades, como a ONU (Organização das Nações Unidas) e o FMI (Fundo Monetário Mundial), reclamam do desvio de parte da produção agrícola para a produção de biocombustíveis. O resultado, segundo eles, é que a oferta cai ainda mais em um momento de alta na demanda, causando a elevação dos preços. O caso mais criticado é o do milho, usado nos Estados Unidos para a produção de álcool, que levou à disparada do preço do produto no mercado internacional já no ano passado. Também criticam a substituições de lavouras tradicionais pelas de cana-de-açúcar, em um ataque direto ao Brasil --principal exportador de álcool do mundo e que usa a cana-de-açúcar para extrair o produto.

Travamento às exportações -Diante do risco de desabastecimento, grandes países produtores de alimentos estão impedindo a exportação, agravando o cenário nos países importadores. Os casos mais recentes foram vistos com o trigo argentino e o arroz indiano e vietnamita.

Comentários dos leitores
Renato Ribeiro de Oliveira (2) 15/10/2009 19h58
Renato Ribeiro de Oliveira (2) 15/10/2009 19h58
A população mundial esta cega! pensando em quanto o mercado de ações vai ser bom, se o dólar vai cair ou subir, e esquecemos de pessoas que estão passando fome a nossa volta.
No mundo composto por 6 bilhões de pessoas, 4 bilhões passam com menos de 2 dólares por dia!
A teoria de Malthus foi quebrada, hoje à alimentos para todos, porém o excedente fica nas mãos de poucas pessoas no mundo.
O que está errado? Nada mais do que o sistema! esse sistema concentrador acaba bdneficiando poucas pessoas e excluindo a grande maioria da população. Como diz o economista chileno Max Neef: A economia esta para servir as pessoas e não o contrário.
Temos que parar com essa corrida desenfrada do excedente, e pensar numa solução justa para todos.

Renato Ribeiro de Oliveira - 4° ano de Economia - FAC FITO - Osasco - SP - Brasil.
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Marcos Antonio Fernandes (5) 14/10/2009 13h34
Marcos Antonio Fernandes (5) 14/10/2009 13h34
Estudos científicos divulgados ao final da década passada indicaram que se todas as nações do mundo, ao invés de aplicarem substanciais parcelas de seus respectivos Produto Interno Bruto (PIB) em materiais bélicos, que, em termos atuais, atinge a extraordinária cifra de 2.000.000.000.000US$ (dois trilhões de dólares) ao ano, em políticas públicas adequadas para o combate a essa gravíssima situação, em apenas 5 (cinco) anos seria possível não só a erradição da fome, quanto a geração de emprego e renda para todos os habitantes do planeta Terra, proporcionando-lhes, por conseguinte, uma vida digna.
É lamentável constatar, pois, de acordo com reconhece, aliás, um dos dirigentes da FAO, que a eliminação da fome e da subnutrição dependa tão-só de vontade política.
Salta à evidência, pois, que o homem está se utilizando, de forma equivocada, do livre arbítrio que o ente supremo lhe concedeu, expondo a condições sub-humanas mais de um bilhão de seus semelhantes.
É bem por isso que o Armagedon se aproxima, nisto crendo quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir.
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Antonio Fouto Dias (2735) 13/10/2009 14h04
Antonio Fouto Dias (2735) 13/10/2009 14h04
Os produtores de cana que se cuidem, uma vez que, quando se iniciar a exploraçãodo pre-sal e o Brasil estiver produzindo muito mais do que sua real necessidade de consumo de petróleo, certamente, mesmo que a Petrobrás não queira, os preços do óleo diesel e da gasolina irão cair, fato que tornará o consumo de álcool não compensador, pois se o preço de ambos os combustíveis estiverem iguais ou próximos, o proprietário do veículo optará pela gasolina, pois será mais econômica.
Se agora, do jeito que está já existem problemas no setor alcooleiro, imaginem então com o preço dos combustíveis oriundos do petróleo de baixo valor.
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