Paraguai pode ter linhas de transmissão em vez de reajuste em Itaipu
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O governo federal estuda alternativas ao reajuste do valor pago à energia excedente do Paraguai produzida da usina binacional de Itaipu como forma de ajudar o Paraguai, disse o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) nesta sexta-feira. Uma delas é o investimento na linhas de transmissão de energia daquele país, que ele julgou ser falha.
"Há várias alternativas para buscar ajudar o Paraguai. Umas são por meio de Itaipu, mas há vários outros também. O Paraguai tem a maior hidrelétrica do mundo e tem eletricidade falha em Assunção", declarou Amorim, na manhã desta sexta-feira no Rio. "Um dos problemas mencionados [na imprensa] é que o Paraguai quer vender para o Brasil a energia porque não usa, mas ele não usa porque não tem linhas de transmissão."
Embora negue aceitar um reajuste ao preço pago ao Paraguai pelo excedente produzido em Itaipu, o ministro afirmou que o Brasil tem intenção de ajudar o vizinho porque tem dívida com ele e por ser interessante economicamente.
"O Brasil fez muito pouco pelo Paraguai até hoje. E para o Brasil é interessante que o Paraguai seja próspero e estável", disse.
Durante palestra comemorativa dos 45 anos da Coppe (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Amorim afirmou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um "esforço ingente" para melhorar as relações com os países da América do Sul e que é preciso ter solidariedade com os vizinhos.
"É inconcebível um Brasil próspero em meio a uma América do Sul miserável", declarou. "E não estamos apenas atuando por idealismo. A América Latina e o Caribe representam cerca de 26% das compras exteriores do Brasil, mais que a União Européia."
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