Dinheiro
25/04/2008 - 18h09

Lula diz que Brasil deve ajudar Paraguai a se desenvolver

WANDERLEY PREITE SOBRINHO
Colaboração para a Folha Online, em Paulínia (SP)
com Folha Online, em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje que o Brasil contribui para que países mais pobres recebam ajuda dos mais ricos, como o Brasil. A declaração foi feita em Paulínia (interior de São Paulo), onde Lula participou da inauguração da Brasken, petroquímica que tem 25% de capital da Petrobras e recebeu investimentos de R$ 700 milhões.

"Não há razão para brigar com o Paraguai, somos um país mais rico e mais industrializado. O Brasil não tem de ser generoso com o Paraguai, mas contribuir para que esses países [mais pobres] fiquem mais industrializados", afirmou o presidente.

Entenda o tratado de Itaipu

A declaração foi feita em alusão ao recente atrito com o Paraguai no que se refere ao reajuste da tarifa paga pelo Brasil pela energia da usina de Itaipu, da qual os dois países são sócios.

O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, defende um reajuste do preço, afirmando que o correto é que se pague o "preço de mercado". Por outro lado, o Brasil considera o valor justo. Lula, porém, já sinalizou que pode conversar sobre uma possível mudança.

Entenda

Itaipu pertence aos dois países em partes iguais. Pelo contrato de 1973, cada um tem direito a 50% da energia produzida. Caso uma das partes não use toda a cota, vende o excedente ao parceiro a preço de custo.

Como o Paraguai utiliza apenas cerca de 5% dessa energia --o que atende 95% da demanda do país--, o restante é vendido ao Brasil --no total, 20% da energia elétrica usada por aqui vem de Itaipu.

Hoje, o Brasil paga US$ 45,31/MWh (cerca de R$ 75) pela energia vendida pelo Paraguai, o que se aproxima dos preços cobrados no país. Para cada MWh pago pela energia de Itaipu, R$ 42,5 vai para despesas da própria usina e para o pagamento da dívida da Eletrobrás com credores, feitas à época da construção da usina. No ano passado, a venda de energia da usina rendeu ao Paraguai US$ 340 milhões.

 

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