Lula defende álcool e diz que Brasil vai brigar para combater "falácia"
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
Colaboração para a Folha Online, em Paulínia (SP)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta sexta-feira, em evento em Paulínia (interior de São Paulo), a produção de álcool a partir de cana-de-açúcar pelo Brasil. Lula criticou quem relaciona a produção de biocombustíveis ao aumento do preço de alimentos e disse que se precisar, o Brasil vai entrar na briga pelo seu ponto de vista e vai ganhar. "É uma falácia dizer que o biocombustível é o responsável pelo aumento do preço dos alimentos."
"Imaginar que vamos trocar a produção de comida pela de álcool é algo medíocre e vergonhoso. Essa insinuação é típica de quem não sabe fazer uma briga comercial decente. Nunca destratei nenhum presidente da República, entretanto não vamos ficar quietos se as mentiras sobre o álcool continuarem", afirmou Lula na inauguração de uma unidade da Brasken, petroquímica que tem 25% de capital da Petrobras.
"Não tem hoje nenhum país do mundo com condições de sol, terra é álcool para produzir alimento e combustível [como o Brasil]. Nós precisamos comprar essa briga enquanto nação brasileira. É preciso ser honesto. Se está faltando alimento, é porque estão comendo mais. E plantar é uma coisa que o Brasil sabe fazer."
Segundo Lula, algumas entidades e países tratam o Brasil "como tacanha" nessa questão. "Esse país tem soberania e não vai pedir licença para crescer. Vamos ter de participar de fóruns internacionais. Essa é uma briga importante para nós e o mundo não tem escolha. Não é um debate ideológico. Ele é comercial. O mundo não vai prescindir do álcool. Se eles quiserem fazer a guerra tecnológica e ambiental, dessa o Brasil não fugirá e vencerá essa luta."
Lula, porém, admitiu que alguns tipos de biocombustível devem ser usados com mais cuidado. "Obviamente que não é recomendável do ponto de vista da segurança alimentar produzir álcool de milho, ainda mais porque ele é subsidiado. Era mais lógico que os EUA fizessem parcerias com o Caribe para produzir o álcool que eles precisam."
Segundo o presidente, o problema com a alta dos preços dos alimentos hoje deve-se à negociações comerciais mal feitas, que atrasaram o crescimento da agricultura.
"O papel na OMC [Organização Mundial do Comércio] poderia ser exercido pelos Estados Unidos ou China, mas é desempenhado pelo Brasil. Os países ricos ou mudam os subsídios internos para a agricultura ou vamos ter no século 21 o que houve no século 20 [desigualdade entre países ricos e pobres]. Por isso estamos atuando para concretizar a Rodada Doha, estamos dispostos a flexibilizar desde que não mate o potencial industrial brasileiro", afirmou.
Críticas
O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que "o pior" pode estar por vir na crise alimentícia global, e considerou também que os biocombustíveis produzidos com alimentos colocam "um verdadeiro problema moral".
A bioenergia também tinha sido condenada pelo relator da ONU, Jean Ziegler, que disse que a produção e o uso de biocombustíveis se transformaram em um "crime contra a humanidade", devido aos problemas atuais com o aumento dos preços dos alimentos.
Já o presidente do Bird (Banco Mundial), Robert Zoellick, afirmara que o forte aumento da produção de biocombustíveis nos Estados Unidos e na Europa é um fator importante da disparada dos preços dos alimentos no mundo.
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