Dinheiro
25/04/2008 - 20h35

Acordo entre Oi e BrT descarta corte de vagas por três anos

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, garantiu que o acordo da compra da Brasil Telecom pela Oi prevê que não haverá demissões por pelo menos três anos. O executivo destacou que, com os planos de expansão que a empresa terá, inclusive para atuar no exterior, "fatalmente" serão gerados mais empregos com a criação da "supertele", cujo controle acionário será de empresas brasileiras.

"Não estamos prevendo demissões iniciais. Há um acordo de acionistas, e uma das cláusulas diz que o número de postos das duas companhias serão mantido nos próximos três anos", afirmou.

Os planos da Oi, com a aquisição da Brasil Telecom, é ter 110 milhões de clientes dentro de cinco anos, dos quais 30 milhões no exterior. No Brasil, seriam 22 milhões de clientes de telefonia fixa, 38 milhões na telefonia celular, 12 milhões de banda larga e 8 milhões no mercado de TV por assinatura. Atualmente, as duas empresas somam 43,4 milhões de clientes, sendo 20,7 milhões em telefonia celular e 22,7 milhões na fixa.

Falco negou que o negócio caracterize monopólio em determinados segmentos. Na visão do executivo, haverá ganhos de escala, com a complementaridade de determinadas áreas.

"No Rio, por exemplo, será mantida a participação da Oi, assim como a da Brasil Telecom em Goiânia. Não há aumento de participação, são áreas absolutamente complementares", observou.

O executivo ressaltou que as tarifas de telefonia fixa poderão cair com a compra da Brasil Telecom. Segundo Falco, os contratos que as empresas já firmaram prevêem redução dos preços, à medida em que haja ganho de produtividade em determinado segmento. Isso, destacou, ocorrerá na telefonia fixa à distância. "O consumidor, ora ganha na tarifa, ou ganha na competição."

Com o negócio, os grupos Andrade Gutierrez e La Fonte, que detém, cada um, 10,275% no grupo de controle da Oi, passarão a ter, cada um, 19,34%. Os dois grupos fizeram aportes para a concretização do negócio.

Falco disse esperar que haja contestação do negócio por parte dos grupos estrangeiros que atuam no Brasil. Para ele, porém, a possível reclamação não tem argumentos fundamentados. "Há dois players fortes no mercado, e com o negócio, passarão a ser três. Eles vão contestar o aumento de competitividade?", questionou.

Segundo Falco, em termos de receita, a super tele teria 29,3% do mercado nacional de 2007, contra 41,5% do grupo ibérico (espanhóis e portugueses da Vivo, TIM e Telefonica) e 20,5% do grupo mexicano (Claro, Net e Embratel).

Arte Folha Online/Arte Folha Online

Negócio

A operação de compra da Brasil Telecom pela Oi, anunciada nesta sexta-feira, pode chegar a R$ 12,3 bilhões, afirmou o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco. Segundo ele, além dos R$ 5,8 bilhões dispensados para adquirir controle direto e indireto, serão necessários, possivelmente, R$ 3,5 bilhões para as ofertas aos acionistas donos de ações ordinárias, conforme determina a lei, e mais R$ 3 bilhões para comprar ações preferenciais no mercado.

O negócio ainda depende de mudança na legislação do setor --já que atualmente é proibido uma empresa de telefonia fixa comprar outra de diferente área de atuação--, e de aprovação pelos órgãos reguladores, como a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Os dois órgãos ainda não foram notificados.

 

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