Dinheiro
27/04/2008 - 08h30

Área da Santa Ifigênia passa por formalização fiscal

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JULIO WIZIACK
da Folha de S.Paulo

Conhecida pela venda de produtos de informática no centro da capital paulista, a Santa Ifigênia não é mais a mesma. Dados da Direp (Divisão de Repressão) da Receita Federal revelam que, atualmente, cerca de 80% dos lojistas declaram renda. Há uma década, esse índice era de apenas 20%. A emissão de notas fiscais também aumentou, variando entre 70% e 80%, contra os 10% de uma década atrás.

Apesar disso, a venda de mercadorias importadas ilegalmente continua como marca registrada da região. Estima-se que 60% dos produtos comercializados pelos 4.000 lojistas tenham entrado no país via Paraguai e Uruguai sem pagar impostos, uma prática conhecida como descaminho.

Entre os lojistas existe até mesmo uma divisão geográfica que define o perímetro em que a concentração de formais e informais é mais alta. Segundo eles, a maior parte dos estabelecimentos que vendem com nota e oferecem garantia e atestado de procedência das mercadorias está na "Santa de cima", área compreendida entre a avenida Ipiranga e a Duque de Caxias. Na "Santa de baixo", que vai da Avenida Ipiranga até o viaduto Santa Ifigênia sobre a avenida Tiradentes, estariam os estabelecimentos onde a informalidade é maior.

O fator dólar

Embora os fiscais da Receita Federal afirmem que operações e fiscalizações estejam coibindo a internação ilegal de mercadorias, é a cotação do dólar que define as regras do jogo.

Durante uma semana, a Folha circulou pela Santa Ifigênia com um lojista que não quis ter o nome identificado por questões de segurança e que conhece a maior parte dos distribuidores de equipamentos (oficiais e informais).

Segundo eles, o índice de 60% de importados ilegais, vindos principalmente do Paraguai e do Uruguai, é mantido se o dólar está cotado a, no máximo, R$ 2,50. Se a moeda americana ultrapassa esse valor, o mercado paralelo, que vende produtos ilegais no país, salta para pelo menos 80% em, no máximo, duas semanas.

As mudanças ocorridas na Santa Ifigênia se explicam, basicamente, pela combinação de dois fatores. Um deles foi o programa de incentivos fiscais do governo federal que estimulou o desenvolvimento da indústria de bens de informática no país, derrubando o preço de tal forma que nivelou produtos originais e os importados ilegalmente.

"Computadores e alguns de seus componentes, como HD (hard disk), pen drives e placas de vídeo não compensam mais ser trazidos do Paraguai", afirma Levi de Souza, dono da ComputerPlace.

Outro golpe foi a expansão do crédito oferecido pelos grandes varejistas, facilitando o pagamento de produtos com nota fiscal, e aniquilando a concorrência com a Santa Ifigênia.

"Passamos a vender equipamentos mais potentes, de acordo com a necessidade de cada cliente", diz Admilson Granja Nunes, dono da NotePlace. "É nesse tipo de produto que a região continua forte."

 

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