Dinheiro
28/04/2008 - 13h00

Remessa de lucros para o exterior bate recorde no trimestre

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

As remessas de lucros e dividendos de empresas do Brasil para o exterior bateram recorde no primeiro trimestre de 2008. Já os pagamentos com juros seguem em queda. Os dois indicadores fazem parte do relatório das contas externas, divulgado hoje pelo Banco Central.

Segundo o BC, as remessas de lucros e dividendos somaram US$ 4,3 bilhões em março. No trimestre, foram enviados US$ 8,6 bilhões. Os dois valores são recordes.

Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, o dado mostra que as empresas estrangeiras estão lucrando mais com o aquecimento da economia. Ele também ressalta que os setores que mais remetem lucros são também aqueles que mais lucram e investem no país.

As maiores remessas de lucros são dos setores financeiro (33,5% do total), de veículos (17,7%) e metalurgia (12,1%). Os setores com mais investimentos estrangeiros diretos foram os mesmos.

Ele também disse que algumas dessas empresas podem ter aumentado o envio de recursos para cobrir perdas devido à crise externa. São aqueles setores que têm dificuldades no exterior e estão remetendo dividendos para cobrir dificuldades externas, afirmou.

Lucros

Lopes diz que o aumento maior de remessas para o exterior foi compensado, em parte, pela queda no pagamento de juros. No trimestre, os gastos com juros caíram de US$ 2,8 bilhões em 2007 para US$ 2,2 bilhões neste ano.

As nossas crises externas no passado eram sempre relacionadas a juros. Essa estrutura do balanço de pagamentos [menos pagamentos de juros e mais remessas] são mais equilibradas, diz Lopes.

A conta de dividendos e juros faz parte das transações correntes. As transações correntes (conta que mede as principais operações do país com o exterior) registraram déficit de US$ 4,4 bilhões no mês passado, acumulando um resultado negativo de US$ 9,5 bilhões nos últimos 12 meses (0,71% do PIB) e US$ 10,76 bilhões no trimestre.

A conta de transações correntes é formada pelo superávit da balança comercial (US$ 1,012 bilhão), pelas transferências unilaterais (US$ 349 milhões) e pelos serviços e rendas (-US$ 5,8 bilhões).

 

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