Alta de preços dos alimentos e petróleo esfria turismo mundial
CÁSSIO AOQUI
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Dubai
A alta dos preços de alimentos e do petróleo já apresenta desdobramentos negativos no setor de turismo. Para este ano, o crescimento da indústria de viagens no mundo deverá ser menor do que o do ano passado --de 3%, contra 4,1% em 2007.
Outros fatores que agravam o cenário são o enfraquecimento do dólar, o esfriamento da economia norte-americana, a volatilidade do mercado de capitais e, a longo prazo, as conseqüências do aquecimento global. Os dados são do estudo "Travel & Tourism Satellite Accounting", realizado pela consultoria Accenture a pedido do WTTC (Conselho Mundial de Viagens e Turismo).
Os impactos no Brasil, porém, demorarão mais para serem sentidos. O crescimento previsto para esse setor no país é de 5,8% neste ano. Para os próximos dez anos, o índice médio cai para 4,8% --ainda assim, trata-se do maior crescimento na América Latina.
Segundo o estudo, a indústria de turismo no Brasil deverá movimentar, direta ou indiretamente, R$ 173 bilhões em 2008 --o equivalente a 6,2% do PIB nacional. Também será responsável por 5,9% (5,5 milhões) do total de empregos --1 em 17 postos de trabalho--, alta de 5,5% em relação a 2007.
Apesar de ser a 14º maior economia do turismo entre 176 países no ranking do WTTC, o Brasil é apenas o 41º em termos de previsão de crescimento. Quando analisada a contribuição do setor de turismo no PIB nacional, o país cai para 140º.
Escritório no Brasil
O esfriamento da economia e seus impactos na indústria do turismo foram os carros-chefes na Conferência Mundial de Viagens e Turismo, maior encontro de empresários do setor e governantes, que aconteceu na semana passada, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A preocupação acerca do crescimento sustentável foi ou tópico em pauta. Paralelamente ao evento, o governo dos Emirados anunciou a transferência da capital, hoje em Abu Dhabi, para uma cidade planejada em seu entorno e um plano para a criação de 20 mil quartos em hotéis em Abu Dhabi.
De olho no crescimento do número de turistas brasileiros nos Emirados, o governo de Dubai deverá criar, em São Paulo, um escritório de representação ainda neste ano.
"Visamos estimular não apenas o turismo, alavancado com a abertura recente do vôo direto entre São Paulo e Dubai pela Emirates, mas também os investidores brasileiros por aqui", revelou, em entrevista à Folha, o diretor do Departamento de Turismo, Marketing e Comércio de Dubai, Hamad Morammed bin Mejren.
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O jornalista viajou a Dubai a convite do WTTC
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