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Dinheiro
29/04/2008 - 11h01

Juros do empréstimo caem em março, mas cheque especial fica mais caro

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

As taxas de juros cobradas das pessoas físicas recuaram em março, depois de subirem nos dois primeiros meses do ano, segundo a pesquisa mensal de juros do Banco Central divulgada hoje.

A taxa média para o consumidor recuou de 49% ao ano em fevereiro para 47,8% em março e voltou aos níveis de junho de 2007. No final do ano passado, a taxa chegou a cair para 33,8% a.a., mas voltou a subir neste ano atingindo pico no mês de fevereiro.

A queda na taxa da pessoa física em março foi puxada pelo recuo dos juros do empréstimo pessoal (de 52,6% para 50,5% ao ano) e do financiamento de veículos (de 31,2% para 30,1% ao ano). No sentido contrário, houve alta do cheque especial, que passou de 146% ao ano para 149,8% --a taxa é a maior desde setembro de 2003, puxada pelo aumento do IOF.

Os juros das empresas apresentaram aumento no mês de fevereiro, de 24,8% ao ano para 26,5%. Com isso, a taxa geral (pessoa física + jurídica) passou de 37,4% para 37,6% de fevereiro para março e fechou o trimestre no nível mais alto desde abril do ano passado.

Motivos

A alta dos juros acompanhou no trimestre a interrupção da queda da taxa básica de juros promovida pelo BC e também foi influenciada pelas novas regras do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) instituídas neste ano para compensar o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).

Além disso, houve aumento do spread bancário --diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes. O spread geral caiu 0,6 ponto percentual em março (para 25,4 p.p.), mas subiu 3,1 pontos no trimestre.

Quase trilhão

O volume de financiamentos subiu 3,5% no mês passado, para R$ 992,7 bilhões, e acumulou alta de 31,1% em 12 meses. Esse valor corresponde a 35,9% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 35% em fevereiro.

Considerando-se apenas os recursos livres, foram R$ 705,3 bilhões, um aumento de 3,7% no mês e 35,8% em 12 meses.

A inadimplência manteve a tendência de recuo em todos os segmentos e passou de 4,4% em janeiro e fevereiro para 4,1% em março.

Desconto em folha

As operações com crédito consignado --desconto em folha de pagamento-cresceram 2,6% no mês e 31% em 12 meses. Foram R$ 69,2 bilhões, mais da metade (56,4%) de toda a carteira de crédito pessoal.

Os juros do consignado mantiveram nesse trimestre a tendência de queda registrada em 2007. A taxa caiu de 28,1% ao ano em dezembro para 27% a.a. em março (estava em 28,8% em fevereiro).

 

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