Dinheiro
29/04/2008 - 12h40

Bancos apostam em alta do juro e em inflação acima do centro da meta em 2008

YGOR SALLES
da Folha Online

O sistema bancário apontou, pela primeira vez, que o índice oficial de inflação IPCA fique acima do centro da meta de 4,5% estipulada pelo governo para este ano. A previsão consta de pesquisa com estimativas de 35 instituições financeiras preparada pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

Segundo essa pesquisa, realizada após a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), o IPCA ficará em 4,75% neste ano. "Notamos um aumento de preços, não só nos alimentos como também de outros insumos", entre eles, petróleo e produtos químicos, disse Nicolas Tingas, economista-chefe da Febraban.

"Isso bate na formação de custo", acrescentou. O economista também citou pressões inflacionárias importantes no setor de serviços.

Na pesquisa da federação, os bancos citaram esse cenário de pressões inflacionárias é um dos principais motivos de preocupação. Os representantes dos bancos também o aumento do preço das commodities, a inflação global bem como a desaceleração econômica na China e nos EUA. No âmbito interno, indicaram o descompasso entre oferta e demanda.

Selic mais alta

Devido a esperada pressão inflacionária, uma parcela de 69% das instituições financeiras ouvidas projetou mais uma alta de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros como resultado da próxima reunião do Copom, prevista para o dia 4 de junho.

Após essa possível nova alta, a média das expetativas aponta para a manutenção da taxa Selic em 12,75%. O economista-chefe da Febraban disse acreditar, no entanto, que após a reunião de junho, essa expectativa sofra alterações para cima.

"Há uma transição de expectativas. Isso por que há um grande número de bancos, que já esperam outras altas. Vinte e um porcento deles, por exemplo, apostam em taxa de 13,25% ao final do ano e já há bancos indicando 13,75% em dezembro".

Crédito

Apesar da esperada alta na taxa Selic, as instituições financeiras ampliaram ainda mais a expectativa de aumento do total das operações de crédito neste ano, de 21,82% para 22,04%.
Essa expectativa foi puxada principalmente pelas operações de crédito na carteira direcionada (financiamento de imóveis, entre outros), que subiu de 13,84% para 14,85%.

Esse aumento, segundo Tingas, pode ser explicado tanto pelo alta do crescimento do PIB, como pelo alongamento dos prazos de financiamento --que mantém o valor mensal a ser pago no mesmo nível apesar dos juros subirem.

O crescimento do PIB é estimado pela Febraban nesta pesquisa em 4,66%, com leve alta de 0,03 ponto percentual na comparação com o estudo anterior.

 

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