Santander prevê ampliação de crédito mesmo com alta de juros
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
O aumento da taxa de juros brasileira não deve frear o consumo e a concessão de crédito neste ano, segundo as projeções do Santander. O banco estima expansão da carteira de crédito entre 25% e 30% neste ano. No primeiro trimestre, o crescimento foi de 21%, para R$ 46 bilhões, com destaque para o avanço de 27% na carteira de pessoa física, aos R$ 18,6 bilhões.
"Somos otimistas em relação ao crescimento do pais e do crédito, que vai continuar em um ritmo consistente. (...) Não acreditamos que o aumento da taxa de juros vai frear o crédito. Não vai afetar o consumo", disse o presidente do Santander no Brasil, José Paiva Ferreira.
Para ele, os investimentos em produção no país serão mantidos e a demanda, também. "Os fundamentos da economia levam os empresários a fazer investimentos. Para a pessoa física, tendo ritmo de emprego, ela procura fazer investimentos, comprar um carro ou uma casa. Isso é mais determinante que mexer na taxa de juros e elevar em 1 ponto percentual", disse o presidente do Santander, que trabalha com taxa de juros de 13% ao ano no final de 2008, ante os 11,75% atuais.
Entre os produtos voltados à pessoa física, no primeiro trimestre deste ano, os cartões tiveram crescimento de 51% (com 400 mil novas unidades emitidas), o financiamento imobiliário, de 42% (R$ 1,8 bilhão em estoque), e o de veículos, 25% (R$ 5,8 bilhões em carteira), e o consignado, 18% (R$ 2,5 bilhões).
A provisão para créditos duvidosos, no entanto, cresceu 46% neste primeiro trimestre. Segundo Ferreira, a variação ocorreu devido ao "mix da carteira de crédito" e, sobretudo, ao aumento de 45% do crédito para pequenas empresas. No geral, a carteira de pessoa jurídica avançou 17% (para R$ 24 bilhões) nos primeiros três meses deste ano ante igual período do ano passado.
"Os 'small business' [pequenos negócios] foram os que mais cresceram em crédito e tem nível maior de provisão que as grandes empresas, que cresceram 2%. É nosso foco estratégico crescer em pessoa física e pequena empresa", disse Ferreira.
Para 2008, o presidente do Santander no Brasil, José Paiva Ferreira, informou que o banco espera dobrar o carteira de crédito imobiliário, mas sobre "um volume ainda pequeno". No segmento de cartões, a estimativa é registrar expansão de 50%, no consignado, de 25%, e no de veículos, de 35%, com o início das operações de leasing entre maio e junho deste ano.
Clientes
Com 8,3 milhões de clientes (dos quais 4,5 milhões correntistas), a estimativa do banco é repetir o desempenho de 2007 e somar 1 milhão de novos clientes neste ano. Segundo divulgou o Santander nesta terça-feira, o banco encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 388 milhões, queda de 31% ante R$ 559 milhões nos três primeiros meses de 2007. Pelas regras contábeis européias, o lucro líquido do Santander no Brasil foi 33% maior no primeiro trimestre deste ano, a US$ 393 milhões e representa 12% do total do grupo.
Segundo Ferreira, o resultado teve impacto negativo das operações de não clientes, que caíram 45% no primeiro trimestre deste ano. O destaque, conforme o presidente do banco, ficou justamente para o desempenho da operação com clientes (margem financeira de clientes, receitas de seguros e capitalização e de prestação de serviços, subtraindo-se provisão e gastos), que cresceu 31%, para R$ 820 milhões.
Investimentos
Ferreira também informou que o Santander mantém o interesse em investir em infra-estrutura e energia, como já ocorreu no leilão de Santo Antônio, no Rio Madeira. "Estamos participando em projetos de infra-estrutura, como no Rio Madeira. É também uma forma de conseguirmos clientes jurídicos", disse Ferreira.
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