Dinheiro
29/04/2008 - 18h56

Crise de alimentos deve estimular agricultura, diz diretor da ONU

da Efe, em Roma

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, em inglês), o senegalês Jacques Diouf, disse acreditar que a atual crise de alimentos no mundo, causada pela alta nos preços, deve servir de estímulo para a agricultura.

"Só assim podemos evitar que esta situação dramática se repita no futuro. Chegou o momento de reformular a agricultura e a comunidade internacional não deveria perder esta oportunidade", afirmou o diretor-geral em nota divulgada nesta terça-feira pela FAO.

Para a organização, o preço atual dos produtos básicos exige políticas e programas para ajudar as milhares de pessoas com sobrevivência ameaçada por conta desta crise. Para os camponeses dos países do terceiro mundo, seria uma forma de reformular suas produções.

"Temos que produzir mais alimentos nas áreas onde eles são necessários com urgência para conter o impacto da alta dos preços sobre os consumidores menos favorecidos", disse Diouf em nota.

"Ao mesmo tempo, precisamos dar novo impulso à produtividade e expandir a produção para criar mais oportunidades de renda e emprego nas áreas rurais mais pobres", completou.

A questão dos preços dos alimentos será debatida em conferência sobre a Segurança Alimentar Mundial e os Desafios da Mudança Climática e a Bioenergia, de 3 a 5 de junho em Roma, capital da Itália.

Entre os participantes já confirmados estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega francês, Nicolas Sarkozy, além do sul-coreano Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU.

Força-tarefa

Ban Ki-moon pediu nesta terça-feira, à comunidade internacional, doações na ordem de US$ 2,5 bilhões para enfrentar o problema dos alimentos. A ONU e o Banco Mundial (Bird) prometeram, hoje, criar uma força-tarefa contra a atual crise global de alimentos.

Ban Ki-moon afirmou que a ONU criará uma nova unidade de emergência para enfrentar a crise, que será dirigida pelo principal funcionário humanitário da instituição, o subsecretário adjunto John Holmes.

"Se os fundos que solicitamos aos doadores não forem plenamente cobertos, corremos o risco de presenciar ainda mais o aumento da fome, da desnutrição e do surgimento de distúrbios sociais em uma escala sem precedentes", disse o secretário-geral.

O anúncio foi feito ao término de uma reunião de 27 importantes agências em Berna para elaborar um plano de batalha para enfrentar a crise alimentar, que ameaça aumentar o número de desnutridos em cerca de 100 milhões de pessoas, segundo o Banco Mundial.

 

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