Economia dos EUA cresce 0,6% no primeiro trimestre deste ano
da Folha Online
Atualizado às 14h25
A economia americana registrou um crescimento de apenas 0,6% no primeiro trimestre deste ano, mesma taxa de expansão verificada no quarto trimestre de 2007.
Com o dado de hoje fica um pouco afastado o temor de que a economia americana já pudesse estar no início de uma recessão --caracterizada por dois trimestre consecutivos de PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas por um país) negativo.
Ontem, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou que a economia do país está "muito lenta". Já o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, admitiu no início deste mês, pela primeira vez, que a economia americana corre o risco de entrar em recessão no primeiro semestre deste ano.
"Não parece provável que o PIB cresça muito, se é que cresce, na primeira metade de 2008, e ainda poderia se contrair um pouco", disse (uma contração no PIB em dois trimestres seguidos é uma definição consensual de recessão).
"A economia apenas conseguiu manter a cabeça fora da água no primeiro trimestre", disse ao diário americano "The Wall Street Journal" ("WSJ") o economista Nigel Gault, da Global Insight. "Não vamos abrir o champanhe ainda, no entanto."
Um aumento dos estoques foi a principal razão para que o PIB permanecesse ainda no território positivo, disse o analista Steven Wood, da Insight Economics, ao "WSJ".
Os estoques de todos os bens produzidos no país tiveram um aumento de valor de US$ 1,8 bilhão no trimestre passado, depois de terem sofrido uma queda de US$ 18,3 bilhões no quarto trimestre de 2007; no terceiro trimestre do ano passado, havia sido registrado um aumento de US$ 30,6 bilhões. A alta dos estoques teve participação de 0,81 ponto percentual no cálculo do PIB.
Esse aumento, no entanto, se deveu mais à queda na demanda que a um aumento de produção. "Acreditamos que o PIB provavelmente irá declinar no segundo trimestre", disse Gault. "Os estoques provavelmente ficarão negativos de novo, ao mesmo tempo em que todas as categorias de gastos e investimentos deverão se manterem em declínio. E os gastos do governo também deverão ser menores."
Os gastos dos consumidores tiveram um recuo significativo: depois de um crescimento de 2,3% no quarto trimestre de 2007, tiveram uma expansão de apenas 1% entre janeiro e março deste ano; foi o menor aumento desde o segundo trimestre de 2001. Os gastos dos consumidores respondem por cerca de 70% de toda a atividade econômica dos EUA.
Os gastos das empresas tiveram uma queda de 2,5%. O setor imobiliário voltou a sofrer uma forte contração: os investimentos fixos no setor caíram 26,7% (maior desde o quarto trimestre de 1981, quando houve queda de 35,1%), o que causou uma perda de 1,23 ponto percentual no cálculo do PIB. No quarto trimestre a queda havia sido de 25,2%.
O comércio internacional deu uma contribuição pequena para a economia no início deste ano, com uma participação de 0,22 ponto percentual no PIB. As exportações cresceram 5,5% no período, e as importações, 2,5%. No quarto trimestre de 2007, o comércio internacional contribuiu com 1,02 ponto percentual.
O índice de inflação atrelado à leitura do PIB teve alta de 3,5%, uma ligeira queda em relação ao do trimestre imediatamente anterior, alta de 3,9%. O núcleo do índice (que exclui os preços de alimentos e energia) teve alta de 2,2%, contra 2,5% um trimestre antes.
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