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Dinheiro
30/04/2008 - 11h23

Economia japonesa dá sinais de que começa a ser atingida pela crise mundial

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FERNANDO BUSCA
da Efe, em Tóquio

A economia japonesa demonstra que começa a ser atingida pela crise mundial, após o Banco do Japão (banco central do país) diminuir em 0,6 ponto percentual a previsão de crescimento para 2008, (1,5%), em uma estimativa em sintonia com a desaceleração econômica mundial.

A crise global chega ao Japão de forma mais branda, em comparação aos estragos que está provocando em economias como a americana, porém não deixa de ter efeitos dolorosos para um país que há poucos meses dava indícios de que começava a decolar, empurrado pelos grandes lucros das grandes corporações exportadoras.

Se em dezembro a economia japonesa vinha de dois trimestres consecutivos de expansão, com um crescimento de 3,7% nos últimos três meses de 2007, o banco diminuiu hoje de 2,1% para 1,5 % a previsão de crescimento para o ano fiscal de 2008, que acaba no mês de março de 2009.

Aos muitos problemas da economia do país, como o baixo consumo, foram somados recentemente os preços estratosféricos do petróleo e um fortalecimento do iene, que prejudicou o setor exportador japonês.

Fora isto, o cálculo do banco central de que neste ano a inflação vai aumentar para 1,1%, muito acima do 0,4% previsto em outubro, acentua ainda mais a queda na previsão de crescimento econômico do país.

O problema não está no dado em si, mas sim nas causas do aumento de preços.

Os preços sobem no Japão pelo fato de a cada dia o barril de petróleo estar mais caro, assim como outras matérias-primas necessárias para o potente setor industrial japonês, e não pelo aumento do consumo, o principal motor da economia.

Na primeira reunião do Banco do Japão com Masaaki Shirakawa como presidente do banco, foi decidido hoje que as taxas de juros vão se manter em 0,5%.

Hoje, Shirakawa definiu a incerteza econômica no Japão como "extremamente alta". Os demais membros do comitê decisório do banco entenderam que no atual contexto econômico não há razões para alterar as taxas de juros.

Segundo eles, a decisão de manter os juros em seu nível é porque no Japão o dinheiro está muito mais barato que no resto das grandes áreas monetárias, como nos EUA e na zona do euro.

O preço do dinheiro continua sendo muito baixo para os japoneses, mas o governo publicou hoje que em março a despesa das famílias caiu 1,6% em relação ao ano anterior.

Os japoneses já não compram como antes e a segunda maior economia do mundo, aparentemente cada vez mais vulnerável às incertezas da economia global nos últimos tempos, começa a se sentir afetada pela crise do sistema bancário internacional.

No entanto, as mudanças experimentadas pela estrutura econômica japonesa nos últimos anos de certa forma a preveniram contra uma crise que em outros tempos a teria castigado com mais intensidade.

Recentemente, as empresas japonesas, entre elas o forte setor automobilístico, diversificaram seus mercados e hoje em dia são muito menos dependentes da economia dos EUA, que perde força a cada mês.

Multinacionais como a Matsushita, a Toyota e a Honda vendem cada dia mais em mercados emergentes como o chinês e são mais flexíveis para lidar com situações como o enfraquecimento do iene.

Talvez por razões como essa, seus resultados no primeiro trimestre do ano não tenham sido tão ruins.

As informações econômicas divulgadas hoje pelo governo japonês demonstram uma certa desaceleração econômica.

Porém, embora a produção industrial tenha caído 3,1% em março, a maior diminuição desde janeiro de 2003, essa informação negativa se vê compensada de certa forma pela força do emprego no Japão.

No ano fiscal de 2007, que terminou no mês passado, a taxa de desemprego registrada foi a menor em dez anos, ao ficar em 3,8%.

 

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