Economia do governo bate recorde no trimestre e supera pagamento de juros
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
A economia do setor público para pagar os juros da dívida bateu recorde no valor acumulado no primeiro trimestre do ano, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Banco Central.
O superávit do setor público acumulado entre janeiro e março ficou em R$ 43 bilhões. O valor é equivalente a 6,39% do PIB (Produto Interno Bruto) do período. A arrecadação de impostos e contribuições acima do previsto foi a principal responsável pelo aumento do superávit em relação a 2007 (R$ 27,3 bilhões).
O setor público é formado pela União, Estados, municípios e estatais. Juntos, precisam fazer uma economia equivalente a 3,8% do PIB. Nos 12 meses encerrados em março, o superávit primário está em 4,46% (R$ 117,364 bilhões). Em termos nominais, é o melhor resultado da série histórica do BC, iniciada em 1991. Já o percentual é o melhor desde outubro de 2005.
"Com esse resultado, o cumprimento da meta de 3,8% é muito factível", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. "Você acumulou gordura suficiente para atingir essa meta sem dificuldade."
Nos três primeiros meses do ano, o pagamento de juros foi de R$ 40 bilhões. Como o superávit (R$ 43 bilhões) foi mais que suficiente para pagar os juros, o BC registrou pela primeira vez na série um resultado nominal positivo no primeiro trimestre do ano, de R$ 3 bilhões (0,45% do PIB do período).
"O país foi capaz de pagar os juros da dívida e ainda sobraram recursos. Isso significa que você pôde reduzir a dívida", disse Lopes.
Ele afirmou também que o atraso na votação do Orçamento foi outro fator que contribuiu para o controle de gastos do governo no trimestre e lembrou que a tendência é de que as despesas aumentem ao longo do ano.
Queda na dívida
A dívida líquida do setor público apresentou queda em março na comparação com o PIB (Produto Interno Bruto) do período. O principal indicador da dívida (relação dívida/PIB) caiu de 42,2% para 41,2% de fevereiro para março.
É o menor percentual desde dezembro de 1998, quando a dívida estava em 38,9% do PIB. A previsão do governo é fechar o ano de 2008 em 41,3%.
"O principal indicador das contas fiscais [dívida/PIB] veio com uma redução pronunciada", disse Lopes. "Para o próximo mês, dado o comportamento da dívida, a previsão é de manutenção desse patamar com possibilidade de um ligeiro crescimento."
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