Dinheiro
30/04/2008 - 12h21

Lula diz que decisão sobre reajuste de combustíveis pode sair hoje

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Atualizada às 13h19

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira as especulações em torno do reajuste de preços de combustíveis no país e indicou que uma decisão sobre o assunto deve sair ainda hoje. Lula disse ainda que o ministro Guido Mantega (Fazenda) se reúne hoje com técnicos para discutir o assunto. O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, também integra a reunião.

"Não pode passar de hoje, não podemos ficar a vida inteira lidando com a especulação, porque é isso que vai acontecer. Daqui a pouco o povo paga o preço do quilo de comida que ele come por um aumento de combustível que não houve. É melhor resolver isso logo", disse o presidente, após cerimônia no Palácio do Planalto.

Lula disse que, apesar de viajar hoje para Maceió (AL), estará acompanhando as negociações sobre os combustíveis e quando houver uma definição será informado, por telefone, por Mantega.

"O Ministério da Fazenda está vendo os custos para saber, se é necessário ou não aumentar. Somente depois dessa reunião é que vocês vão saber", afirmou o presidente.

"O ministro da Fazenda está reunido fazendo um estudo de custos. Se ele chegar à conclusão de que é necessário aumentar, vai comunicar que vai aumentar. Se ele chegar à conclusão de que não vai aumentar, vai dizer que não vai aumentar, e isso precisa ser resolvido hoje".

Lula se mostrou irritado com as diferentes informações que leu na imprensa sobre eventuais reajustes dos preços dos combustíveis. Segundo ele, a especulação pode interferir no aumento dos preços dos alimentos, atrapalhando a vida de todos.

"A especulação da informação também contribui para que as coisas aconteçam. Daqui a pouco aparece alguém com a expectativa da inflação por conta do boato", reagiu Lula.

Ontem, Lula se reuniu com Edison Lobão (Minas e Energia), Dilma Rousseff (Casa Civil), Mantega e Gabrielli para discutir um aumento, mas a elevação teria sido adiada para não pressionar ainda mais a inflação, já em alta por conta dos alimentos.

O mercado aposta em um aumento dividido em duas parcelas de aproximadamente 5% --uma até junho e outra em dezembro. O objetivo é tentar diluir o impacto na inflação até 2009.

O preço dos derivados de petróleo é liberado nas distribuidoras e postos, mas fixado pela Petrobras nas refinarias. O último reajuste feito pela estatal foi em setembro de 2005 (10% para gasolina, 12% para o diesel). Naquela ocasião, o barril de petróleo estava em aproximadamente US$ 60. Hoje, já ultrapassou US$ 100.

Pelos cálculos feitos por consultorias, o preço interno dos derivados de petróleo está com uma defasagem em relação ao seu custo internacional de cerca de 20%. Não há expectativa de que a Petrobras faça um reajuste dessa ordem.

Com Folha de S.Paulo

 

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