Dinheiro
30/04/2008 - 13h50

Gabrielli diz que não comenta possível alta dos combustíveis

EDUARDO CUCOLO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, se reuniu no início desta tarde com o ministro Guido Mantega (Fazenda) para discutir uma possível alta no preços dos combustíveis. Por volta das 13h30, ao deixar o ministério, disse que não falaria sobre a reunião ou o que foi tratado nela: "No coments", afirmou.

Mais cedo, no Itamaraty, Edison Lobão (Minas e Energias) e Celso Amorim (Relações Exteriores) também participaram de encontro com Mantega e Gabrielli sobre o mesmo assunto.

Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as especulações em torno do reajuste de preços de combustíveis no país e indicou que uma decisão sobre o assunto deve sair ainda hoje. Lula disse ainda que Mantega se reuniria hoje com técnicos para discutir o assunto.

"Não pode passar de hoje, não podemos ficar a vida inteira lidando com a especulação, porque é isso que vai acontecer. Daqui a pouco o povo paga o preço do quilo de comida que ele come por um aumento de combustível que não houve. É melhor resolver isso logo", disse o presidente, após cerimônia no Palácio do Planalto.

Lula disse que, apesar de viajar hoje para Maceió (AL), estará acompanhando as negociações sobre os combustíveis e quando houver uma definição será informado, por telefone, por Mantega. 'O Ministério da Fazenda está vendo os custos para saber, se é necessário ou não aumentar. Somente depois dessa reunião é que vocês vão saber', afirmou o presidente.

Ontem, Lula se reuniu com Edison Lobão (Minas e Energia), Dilma Rousseff (Casa Civil), Mantega e Gabrielli para discutir um aumento, mas a elevação teria sido adiada para não pressionar ainda mais a inflação, já em alta por conta dos alimentos.

O mercado aposta em um aumento dividido em duas parcelas de aproximadamente 5% --uma até junho e outra em dezembro. O objetivo é tentar diluir o impacto na inflação até 2009.

O preço dos derivados de petróleo é liberado nas distribuidoras e postos, mas fixado pela Petrobras nas refinarias. O último reajuste feito pela estatal foi em setembro de 2005 (10% para gasolina, 12% para o diesel). Naquela ocasião, o barril de petróleo estava em aproximadamente US$ 60. Hoje, já ultrapassou US$ 100.

Pelos cálculos feitos por consultorias, o preço interno dos derivados de petróleo está com uma defasagem em relação ao seu custo internacional de cerca de 20%. Não há expectativa de que a Petrobras faça um reajuste dessa ordem.

Com Folha de S.Paulo

 

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