Revisão de rating faz Bovespa fechar em alta de 6,3% e dólar cai para R$ 1,66
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online
Atualizada às 17h51
O anúncio inesperado do novo rating brasileiro fez a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) disparar e bater recorde nesta quarta-feira, enquanto o dólar comercial despencou para seu menor nível desde 14 de maio de 1999.
Analistas avaliam que essa movimento de alta da Bolsa e ajuste do dólar pode continuar no pregão de sexta-feira, que por estar espremido entre o feriado e o final de semana, era considerado um "dia morto" para o mercado financeiro.
Em meio à crise americana, com repercussões globais, a agência de classificação do risco Standard & Poor's, uma das principais, anunciou nesta quarta-feira que elevou o rating soberano (nota de risco de crédito) do Brasil para grau de investimento, a melhor classificação para receber investimentos estrangeiros.
A notícia fez a Bolsa subir com força, levando o Ibovespa, o principal índice de ações, a atingir a marca histórica dos 67.868 pontos, um alta de 6,33%. O giro financeiro refletiu bem a euforia dos investidores e foi de R$ 9,70 bilhões, ante uma média diária em torno dos R$ 5 bilhões.
As ações do Ibovespa que mais valorizaram foram Cyrela Realty (15,73%), CCR Rodovias (15,60%), Cosan (15%), Gafisa (14,06%) e Lojas Renner (13,95%). Somente duas ações caíram, entre os papéis que compõem o índice: o ativo da Sabesp, em queda de 0,47%; a ação da Embraer, em retração de 0,40%.
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,664 na venda, em declínio de 2,40%, a menor cotação nos últimos oito anos. A taxa de risco-país atingiu 217 pontos, valor 3,98% inferior à pontuação final de ontem.
"O recado que passou foi o seguinte: 'apesar da crise, num ambiente de incertezas gigantescas, o Brasil ainda é um bom porto de investimentos", sintetiza Tomás Goulart, economista do Modal Asset Management.
Analistas não consideraram "anormal" a euforia da Bolsa. "Tradicionalmente, nos mercados que recebem essa classificação de 'investment grade', a Bolsa local tende a antecipar a notícia e subir. E o que aconteceu no Brasil foi o contrário: o mercado ficou rateando nos últimos meses [devido à crise nos EUA], o que prejudicou essa antecipação", afirma o economista da Modal.
"O mercado reagiu muito normalmente. Com essa notícia, é toda uma fonte de dinheiro que entra no país. há muitos fundos de investimentos internacionais que somente podem aplicar dinheiro em países ou empresas com 'grau de investimento' e que na Bovespa estavam restritos a meia dúzia de papéis, como Petrobras e Vale", afirma Paolo Mason, diretor de varejo da corretora Win --home broker da Alpes Corretora. "Agora, abre-se novas oportunidades de investimentos para esses fundos", acrescenta.
Perspectivas
Analistas concordam que a notícia sobre o rating vai forçar bancos e corretoras a fazer uma revisão geral de expectativas para os indicadores financeiros.
"Nós estávamos projetando o Ibovespa em 85.000 pontos [no final do ano] há algum tempo, mas depois revisamos para 75.000 com a deterioração do cenário. Em nossa próxima revisão de expectativas, provavelmente a estimativa vai ser algo próximo aqueles 85.000", afirma Paolo Mason, da Win.
"As previsões mais pessimistas [sobre o dólar] tendem a ser brecadas [com essa notícia do rating]. Agora, não acho factível essas apostas que colocavam o dólar a R$ 1,50, justamente porque houve uma deterioração da conta de transações correntes nos últimos meses", pondera Tomás Goulart, da Modal.
As transações correntes (conta que mede as principais operações do país com o exterior) registraram déficit de US$ 4,4 bilhões no mês passado, acumulando um resultado negativo de US$ 9,5 bilhões nos últimos 12 meses (0,71% do PIB) e US$ 10,76 bilhões no trimestre.
Rating
A Standard & Poor's, uma das principais agências de classificação do risco do mundo, anunciou que elevou o rating soberano (nota de risco de crédito) do Brasil para grau de investimento, a melhor classificação para receber investimentos estrangeiros. O rating do Brasil em moeda estrangeira em longo prazo passou de BB+ para BBB-. Essa nota "BBB-" já está incluída no grupo de ratings classificado como 'grau de investimento'.
Com o grau de investimento, o mercado brasileiro passa a ser acessível para diversos tipos de investidores estrangeiros --como, por exemplo, os poderosos fundos de pensão americanos. A partir disso, espera-se uma forte especulação nos papéis brasileiros nos próximos dias, como é o caso de hoje.
Além do grau de investimento, também ajuda na alta o fato do Federal Reserve, o banco central americano, não surpreender o mercado e ajustar hoje a taxa básica de juros americana para 2% ao ano.
Ainda no rol de boas notícias, o governo americano revelou que o PIB (a soma das riquezas do país) cresceu 0,6% no primeiro trimestre, acima das expectativas de bancos e corretoras (0,3%). Apesar de que o número deva sofrer revisões nos próximos meses, o desempenho do PIB americano também contribuiu para melhorar o ambiente de negócios nas horas anteriores ao anúncio do Fed.
Empresas
Entre as principais notícias corporativas do dia, a Gol Linhas Aéreas registrou um prejuízo líquido de R$ 74,098 milhões no primeiro trimestre deste ano, contra um lucro de R$ 91,578 milhões no primeiro trimestre do ano passado. A ação preferencial valorizou 1,50%.
A operadora de telefonia celular Vivo registrou no primeiro trimestre deste ano um lucro de R$ 89,6 milhões, revertendo o resultado negativo de R$ 19,3 milhões referente ao primeiro trimestre do ano passado. A ação preferencial disparou 9%.
A Usiminas reportou lucro líquido de R$ 646 milhões no primeiro trimestre deste ano, um resultado 1% superior ao ganho apurado em idêntico período de 2007. A ação preferencial tem alta de 3,05%. A ação da siderúrgica teve forte valorização de 10,33%.
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Especial


pane na rede de internet no estado de São Paulo,
assim o pessoal do Home Broker nem consegue operar.
O volume foi muito baixo hoje!
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Além disso, se vc se preocupa com a Amazônia, fique tranquilo meu caro. Os americanos já a consideram como território internacional - leia-se território americano. Tudo isso já ensinado aos pequenos yankees, futuros Bush`s da vida... O mundo, para ser usado, depende de licença deles...
E ainda, é inegável que quando eles espirram, muitos de nós, reles mortais, têm pneumonia!! Eles podem até sair mais ricos no final, mas enquanto estiverem em dificuldades - o que deve inclusive piorar, inclusive em nível internacional - ficarão todos os outros países arrasados. É o preço que pagamos por depender tanto dos EUA.
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