Dinheiro
30/04/2008 - 17h33

Revisão de rating faz Bovespa fechar em alta de 6,3% e dólar cai para R$ 1,66

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Atualizada às 17h51

O anúncio inesperado do novo rating brasileiro fez a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) disparar e bater recorde nesta quarta-feira, enquanto o dólar comercial despencou para seu menor nível desde 14 de maio de 1999.

Analistas avaliam que essa movimento de alta da Bolsa e ajuste do dólar pode continuar no pregão de sexta-feira, que por estar espremido entre o feriado e o final de semana, era considerado um "dia morto" para o mercado financeiro.

Em meio à crise americana, com repercussões globais, a agência de classificação do risco Standard & Poor's, uma das principais, anunciou nesta quarta-feira que elevou o rating soberano (nota de risco de crédito) do Brasil para grau de investimento, a melhor classificação para receber investimentos estrangeiros.

A notícia fez a Bolsa subir com força, levando o Ibovespa, o principal índice de ações, a atingir a marca histórica dos 67.868 pontos, um alta de 6,33%. O giro financeiro refletiu bem a euforia dos investidores e foi de R$ 9,70 bilhões, ante uma média diária em torno dos R$ 5 bilhões.

As ações do Ibovespa que mais valorizaram foram Cyrela Realty (15,73%), CCR Rodovias (15,60%), Cosan (15%), Gafisa (14,06%) e Lojas Renner (13,95%). Somente duas ações caíram, entre os papéis que compõem o índice: o ativo da Sabesp, em queda de 0,47%; a ação da Embraer, em retração de 0,40%.

O dólar comercial foi negociado a R$ 1,664 na venda, em declínio de 2,40%, a menor cotação nos últimos oito anos. A taxa de risco-país atingiu 217 pontos, valor 3,98% inferior à pontuação final de ontem.

"O recado que passou foi o seguinte: 'apesar da crise, num ambiente de incertezas gigantescas, o Brasil ainda é um bom porto de investimentos", sintetiza Tomás Goulart, economista do Modal Asset Management.

Analistas não consideraram "anormal" a euforia da Bolsa. "Tradicionalmente, nos mercados que recebem essa classificação de 'investment grade', a Bolsa local tende a antecipar a notícia e subir. E o que aconteceu no Brasil foi o contrário: o mercado ficou rateando nos últimos meses [devido à crise nos EUA], o que prejudicou essa antecipação", afirma o economista da Modal.

"O mercado reagiu muito normalmente. Com essa notícia, é toda uma fonte de dinheiro que entra no país. há muitos fundos de investimentos internacionais que somente podem aplicar dinheiro em países ou empresas com 'grau de investimento' e que na Bovespa estavam restritos a meia dúzia de papéis, como Petrobras e Vale", afirma Paolo Mason, diretor de varejo da corretora Win --home broker da Alpes Corretora. "Agora, abre-se novas oportunidades de investimentos para esses fundos", acrescenta.

Perspectivas

Analistas concordam que a notícia sobre o rating vai forçar bancos e corretoras a fazer uma revisão geral de expectativas para os indicadores financeiros.

"Nós estávamos projetando o Ibovespa em 85.000 pontos [no final do ano] há algum tempo, mas depois revisamos para 75.000 com a deterioração do cenário. Em nossa próxima revisão de expectativas, provavelmente a estimativa vai ser algo próximo aqueles 85.000", afirma Paolo Mason, da Win.

"As previsões mais pessimistas [sobre o dólar] tendem a ser brecadas [com essa notícia do rating]. Agora, não acho factível essas apostas que colocavam o dólar a R$ 1,50, justamente porque houve uma deterioração da conta de transações correntes nos últimos meses", pondera Tomás Goulart, da Modal.

As transações correntes (conta que mede as principais operações do país com o exterior) registraram déficit de US$ 4,4 bilhões no mês passado, acumulando um resultado negativo de US$ 9,5 bilhões nos últimos 12 meses (0,71% do PIB) e US$ 10,76 bilhões no trimestre.

Rating

A Standard & Poor's, uma das principais agências de classificação do risco do mundo, anunciou que elevou o rating soberano (nota de risco de crédito) do Brasil para grau de investimento, a melhor classificação para receber investimentos estrangeiros. O rating do Brasil em moeda estrangeira em longo prazo passou de BB+ para BBB-. Essa nota "BBB-" já está incluída no grupo de ratings classificado como 'grau de investimento'.

Com o grau de investimento, o mercado brasileiro passa a ser acessível para diversos tipos de investidores estrangeiros --como, por exemplo, os poderosos fundos de pensão americanos. A partir disso, espera-se uma forte especulação nos papéis brasileiros nos próximos dias, como é o caso de hoje.

Além do grau de investimento, também ajuda na alta o fato do Federal Reserve, o banco central americano, não surpreender o mercado e ajustar hoje a taxa básica de juros americana para 2% ao ano.

Ainda no rol de boas notícias, o governo americano revelou que o PIB (a soma das riquezas do país) cresceu 0,6% no primeiro trimestre, acima das expectativas de bancos e corretoras (0,3%). Apesar de que o número deva sofrer revisões nos próximos meses, o desempenho do PIB americano também contribuiu para melhorar o ambiente de negócios nas horas anteriores ao anúncio do Fed.

Empresas

Entre as principais notícias corporativas do dia, a Gol Linhas Aéreas registrou um prejuízo líquido de R$ 74,098 milhões no primeiro trimestre deste ano, contra um lucro de R$ 91,578 milhões no primeiro trimestre do ano passado. A ação preferencial valorizou 1,50%.

A operadora de telefonia celular Vivo registrou no primeiro trimestre deste ano um lucro de R$ 89,6 milhões, revertendo o resultado negativo de R$ 19,3 milhões referente ao primeiro trimestre do ano passado. A ação preferencial disparou 9%.

A Usiminas reportou lucro líquido de R$ 646 milhões no primeiro trimestre deste ano, um resultado 1% superior ao ganho apurado em idêntico período de 2007. A ação preferencial tem alta de 3,05%. A ação da siderúrgica teve forte valorização de 10,33%.

Comentários dos leitores
Arquimedes lopes (24) 24/11/2009 13h44
Arquimedes lopes (24) 24/11/2009 13h44
O mercado parece a casa da Candinha, com todo respeito às mesmas, cada um fala uma coisa e nada falam porque depois da crise ficou difícil dar um palpite. sem opinião
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JOSE MOTTA (48) 19/11/2009 17h19
JOSE MOTTA (48) 19/11/2009 17h19
ALGUMAS FONTES PREVEM CRESCIMENTO DO PIB PARA OP BRASIL DE 4,5 A 5 % EM 2010. ENTENDO QUE EMISSÃO DE MOEDA É DE ACORDO COM O PIB. O PROBLEMA É EM NOSSO PAIS "ABENÇADO POR DEUS"95 % DESSA FATIA VAI FICAR COM 5 % DA POPULAÇÃO. PARA MUDAR ESSA SITUAÇÃO, PROGRAMAS SOCIAS COMO BOLSA FAMILIA NÃO RESOLVE, É MAIS DEMAGOGIA E POPULISMO. ENQUANTO NÃO MUDARMOS ISSO NÃO SEREMOS PRIMEIRO MUNDO. ´/E ISSO QUE ALGUNS LULILISTAS QUE AQUI ESCREVEM NÃO ENTENDEM OU NÃO QUEREM ENDENTER OU DEVEM FAZER PARTE DOS 5 % PRIVILEGIADOS. 2 opiniões
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Samir Laguardia (1) 18/11/2009 15h17
Samir Laguardia (1) 18/11/2009 15h17
A previsão era que depois de 67.000 pontos a bolsa dispararia. Outra previsao era que o dolar chegasse a 1,80 reais. Proxima vez que os especialistas falarem vou fazer exatamente o contrario... Sera q vai demorar muito pro dolar se igualar ao real? Do jeito que são os asiáticos estarei vivo para presenciar uma evolução no sistema monetario. 2 opiniões
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