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Dinheiro
30/04/2008 - 18h10

ONU rejeita resposta precipitada à utilização de biocombustíveis

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da France Presse, em Genebra

O responsável pela nova célula de crise da ONU (Organização das Nações Unidas) encarregada de lidar com a questão da disparada dos preços dos alimentos alertou nesta quarta-feira para as respostas precipitadas ao desenvolvimento dos biocombustíveis.

"Penso que é preciso evitar uma resposta precipitada. (...) Os biocombustíveis foram desenvolvidos para responder ao problema dos efeitos do aquecimento global e à necessidade de diminuir as emissões de gás carbônico", disse à imprensa John Holmes.

A declaração foi feita um dia após o anúncio do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, da criação de uma célula de crise reunindo os chefes das agências da ONU, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial (Bird) para lutar contra o flagelo da fome percebido em alguns países.

O emissário especial da ONU para o direito à alimentação, Jean Ziegler, qualificou de "crime contra a humanidade" a produção de biocombustíveis.

O Brasil, segundo produtor mundial de álcool atrás dos Estados Unidos, criticou recentemente a "hipocrisia" dos detratores dos biocombustíveis.

"As pessoas que criticam os biocombustíveis nunca questionaram o preço do petróleo. Os países ricos importam petróleo sem taxas e impõem uma taxa absurda ao álcool brasileiro", denunciou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para John Holmes, a situação é "mais complexa". "A produção de biocombustíveis se justifica em algumas regiões e não em outras", ponderou.

"É importante não promover atitudes extremas", declarou à AFP Lennart Baage, presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (FIDA), uma das organizações representadas na célula de crise da ONU.

"Não podemos dizer de repente que os biocombustíveis são ruins", afirmou, destacando que muitos biocombustíveis são feitos a partir de resíduos e não entram em competição com a produção alimentar.

De acordo com Baage, é importante que países ricos e países em desenvolvimento trabalhem juntos com as organizações internacionais para "investir em uma agricultura mais produtiva e sustentável".

"Não se trata de tecnologia de ponta ou de milagres, sabemos do que os agricultores precisam", concluiu.

 

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