Dinheiro
01/05/2008 - 13h50

Marcadas por frio, shows e política, festas de 1º de Maio reúnem menos de 1 milhão

da Folha Online

As principais festas de 1º de Maio organizadas pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) --em Interlagos (zona sul) e São Bernardo (Grande ABC)-- e pela Força Sindical --na praça Campo de Bagatelle (zona norte)-- reuniram menos de 1 milhão de pessoas até as 13h, segundo estimativa da PM (Polícia Militar) e organizadores dos eventos. A previsão das duas centrais era reunir até 2,5 milhões nas festas ao longo do dia. O tema neste ano é a redução da jornada de trabalho sem perda salarial.

Parte do esvaziamento pode ser atribuída às baixas temperaturas: São Paulo registrou a madrugada mais fria do ano, segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências). Os termômetros chegaram a medir 13ºC em Parelheiros (zona sul).

A maior festa é a da Força Sindical, que reúne 800 mil pessoas. A festa da Força é marcada por shows, sorteio de carros e casas, além de discursos políticos. Pelo palco da central passaram os ministros Carlos Lupi (Trabalho) e Marta Suplicy (Turismo), além do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e dezenas de sindicalistas.

Almeida Rocha/Folha Imagem
Força Sindical promove sua festa na Praça Campo de Bagatelli; confira galeria de fotos
Força Sindical promove sua festa na Praça Campo de Bagatelli; confira galeria de fotos

Além do frio, as suspeitas de ligação do presidente da Força, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), esvaziaram a festa da central na praça Campo de Bagatelle. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), por exemplo, não compareceu, mas prestigiou o evento da CUT, tradicional reduto petista e concorrente da Força. Kassab esteve ainda em evento em Emerlino Matazzo, mas se desencontrou do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), pré-candidato à Prefeitura de São Paulo.

Duas das festas da CUT reuniram cerca de 100 mil, de acordo com a PM. Segundo capitão Romano, comandante do policiamento interno no autódromo de Interlagos (principal evento da central), o público não chegava a 100 mil, quando o esperado era de 500 mil. Em São Bernardo, são cerca de cem pessoas. Outra festa na cidade, em Emerlino Matarazzo, reuniu até as 13h cerca de 10.000 participantes.

Para o presidente da CUT São Paulo, Edilson de Paula, é preciso criar a cultura do evento ser organizado na zona sul, após a realização do evento nas avenidas Paulista e São João, nas três edições anteriores. Mas, segundo ele, há a tentativa de estabelecer o autódromo como local para as próximas festas de 1° de Maio.

Ausência

Para justificar a ausência de Kassab, Paulinho disse que o prefeito não foi convidado para a festa da Força. "Com o Kassab, o PDT não tem mais nenhuma relação porque ele tem tratado os trabalhadores muito mal em São Paulo. E por isso nós nem convidamos ele para vir aqui [na festa da Força Sindical] hoje."

Kassab, por sua vez, afirmou que não pretendia constranger o PDT com sua presença. "Até para não constrager o PDT, que através dos seus dirigentes, há algumas semanas atrás, se afastou do nosso governo, do projeto político. E os dirigentes da Força são do PDT. É uma questão de respeito da minha parte", disse Kassab.

Reportagem da Folha de hoje informa que a opção de Kassab pela festa da CUT não tem relação com relatórios da Polícia Federal que mostram que Paulinho teria tramado "um escândalo" contra o prefeito.

Raimundo Paccó/Folha Imagem
CUT promove sua festa em palco novo neste ano, no autódromo de Interlagos; veja galeria
CUT promove sua festa em palco novo neste ano, no autódromo de Interlagos; veja galeria

Eleições

A disputa entre Geraldo Alckmin (PSDB) e e Kassab em torno de uma chapa única na corrida pela Prefeitura de São Paulo deram o tom do 1º de Maio. Os dois disputam a cabeça de chapa numa eventual aliança entre PSDB e DEM na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

"Eleição não é guerra. Eleição é um ato de amor às pessoas e à cidade. Não haverá nenhum problema, nenhum atrito", disse o tucano.

Alckmin disse entender que "é possível". "Temos até junho para fazê-la. No que depender de mim, sou um construtor de pontos e de diálogo", afirmou. Alckmin considerou ainda que, se a aliança não for possível no primeiro turno, "com certeza haverá no segundo turno".

Kassab apelou hoje para a manutenção da aliança que elegeu Fernando Henrique Cardoso presidente e José Serra governador para defender uma coligação entre DEM e PSDB em outubro.

"O importante é que todos nós estejamos perseguindo a continuidade da aliança política que existe entre o DEM e o PSDB. Aliança fortalecida com a vinda do PMDB. Esse é o nosso esforço, de uma aliança que elegeu Fernando Henrique presidente, o próprio Alckmin governador, a mim e ao Serra na Prefeitura, e depois, o Serra governador."

Kassab afirmou que a negociação dessa aliança com o PSDB continua, apesar de Alckmin anunciar que sai candidato na segunda-feira (05). "Os nossos esforços continuam neste sentido. É evidente que o partido tem os seus projetos e tem o nosso respeito", disse.

Vaias

Pré-candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta foi vaiada no palco da festa do 1º de Maio da Força Sindical.

Marta começou agradecendo o convite para participar da festa da Força e elogiando o fato do Brasil ter um presidente operário, o crescimento do emprego formal, o aumento do salário mínimo e o grau de investimento do Brasil. Em seguida, as vaias começaram. Paulinho interveio. Ele disse que a ministra era convidada da Força e que por isso merecia respeito. "Ela é nossa convidada. Não sobe no placo quem é contra trabalhador", afirmou Paulinho.

Após as vaias, ela disse que num evento desse tamanho não dá para ser aplaudida por todo mundo. "Não [fiquei constrangida]. Um pequeno grupo vaiou. Muita gente aplaudiu. Não dá para ir a uma reunião desse porte e não ter algumas pessoas que vaiam. Isso você tem de saber antes de vir. É normal, é natural."

São Bernardo

Em clima de campanha eleitoral, o ministro da Previdência, Luiz Marinho, que participou da tradicional Missa do Trabalhador em São Bernardo do Campo (Grande ABC) nesta quinta-feira, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá seu candidato à prefeitura da cidade.

"O presidente Lula terá um candidato [nas eleições municipais de São Bernardo], e vai apoiá-lo de forma intensiva no papel de presidente e de cidadão da nossa cidade", afirmou Marinho.

Apesar de contar com o apoio do presidente, Marinho ainda não oficializou o anúncio da sua candidatura. "[A minha candidatura] será lançada quando for decidida. Tenho até 5 de junho para anunciar esta decisão. Neste momento, procuro viver intensamente o papel de ministro de Estado, porque há muito ainda o que fazer", disse.

Comentários dos leitores
Luiz Antonio Souza (52) 05/09/2008 21h42
Luiz Antonio Souza (52) 05/09/2008 21h42
Caros paulistanos.
Aproveito a ocasião para lamentar os resultados das pesquisas que apontam a senhora Marta Suplicy à frente das intenções de votos para prefeito desta importante cidade.
Já não bastou o desastre anterior, quando foi apelidada de "Martaxa"?
Esta senhora deveria ser banida da vida pública brasileira, depois de mandar o povo "relaxar e gozar" quando a sociedade enlutada ainda contava os mortos no pior acidente aéreo de nossa história.
Isto é uma vergonha!
Acordam paulistanos!
Vocês não merecem este suplício!
sem opinião
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A Perua Martaxa pode falar sem sofrer punição ?;
só queria entender !
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Internacionalista (62) 05/09/2008 18h33
Internacionalista (62) 05/09/2008 18h33
Estimados leitores
Estamos cansados de ver promessas de candidatos. Vendo as propostas, duas me chamaram a atencao:
1. Marta: nao consigo nem em momento de delirio acreditar q ela construira 47km de metro para SP, mesmo pq o Metro é responsabilidade do governo do estado (pelo q eu sei). Obviamente q a prefeitura pode se envolver com o projeto, mas se responsabilizar pela construcao de 47km, ja acho um exagero.
2. Paulo Maluf: a freeway sobre a marginal. Solucao ou perda de qualidade de vida? Muitos paises tem seus rios despoluidos e com estes a cidade se torna muito mais linda e agradavel. Oq queremos afinal, um rio podre escondido debaixo de avenidas ou um rio limpo e lindo de se ver, do qual podemos nos orgulhar e ainda usa-lo para passeios de barco etc? Descordo a ideia de simplesmente escondermos um rio tao fantastico como o Pinheiros e o Tiete. Milhoes ja foram "invetidos" nesses rios e nao vi melhora alguma. Acho q chegou a hora de tentarmos de vez, limpa-los.
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