Dinheiro
01/05/2008 - 19h17

CUT e Força estimam público de 1,7 milhão em festas de 1º de Maio

da Folha Online

Sem números oficiais da PM (Polícia Militar), que neste ano informou que não divulgará balanço de público, Força Sindical e CUT (Central Única dos Trabalhadores) estimam que 1,7 milhão de pessoas compareceram às festas organizadas hoje pelas centrais, em comemoração pelo Dia do Trabalho. Discursos políticos, sorteios de casas e carros e shows --como dos cantores Leonardo, Daniel e a dupla Bruno e Marrone-- marcaram as comemorações.

A Força realizou sua festa na praça Campo de Bagatelle (zona norte), onde, segundo a central, se reuniram 1,2 milhão de pessoas. A CUT promoveu quatro festas, sendo a principal no autódromo de Interlagos (zona sul), com 500 mil pessoas, e outras três em São Bernardo, Guarulhos e na zona norte de São Paulo, em que compareceram 200 mil pessoas, segundo a assessoria da CUT.

Almeida Rocha/Folha Imagem
Força Sindical promove sua festa na Praça Campo de Bagatelli; confira galeria de fotos
Força Sindical promove sua festa na Praça Campo de Bagatelli; confira galeria de fotos

Neste ano, as centrais tiveram tema unificado: a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais sem corte de salário. A posição foi apoiada pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que esteve na festa da Força e da CUT.

"Acho que é justa a reivindicação dos trabalhadores. Como ministro de Estado, não compete a mim fazer qualquer tipo de campanha a favor ou contra o reivindicação. Acho que tem de passar primeiro pelo Congresso Nacional", disse o ministro.

Como cidadão, porém, Lupi disse que defende a proposta. "Por exemplo, se a bancada do PDT quiser ouvir a minha opinião, enquanto cidadão, é favorável. Agora, como ministro de Estado eu tenho de negociar, ouvir a parte patronal e buscar uma saída de consenso. Quanto cidadão acho justo e a maior parte dos países modernos faz isso", disse.

Quem também fez dobradinha e esteve nos dois eventos foram a ministra Marta Suplicy (Turismo) --que chegou a ser vaiada no palco da Força-- e o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), por sua vez, apareceu apenas em Interlagos, da CUT, tradicional reduto petista e concorrente da Força.

Fernando Donasci/Folha Imagem
Marta foi vaiada em festa da Força Sindical, na zona norte de SP
Marta foi vaiada em festa da Força Sindical, na zona norte de SP

Para justificar a ausência de Kassab, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), presidente da Força, disse que o prefeito não foi convidado. "Com o Kassab, o PDT não tem mais nenhuma relação porque ele tem tratado os trabalhadores muito mal em São Paulo. E por isso nós nem convidamos ele para vir aqui [na festa da Força Sindical] hoje."

Kassab, por sua vez, afirmou que não pretendia constranger o PDT com sua presença. "Até para não constrager o PDT, que através dos seus dirigentes, há algumas semanas atrás, se afastou do nosso governo, do projeto político. E os dirigentes da Força são do PDT. É uma questão de respeito da minha parte", disse.

Reportagem da Folha de hoje informa que a opção de Kassab pela festa da CUT não tem relação com relatórios da Polícia Federal que mostram que Paulinho teria tramado "um escândalo" contra o prefeito.

Ausência

Para justificar a ausência de Kassab, Paulinho disse que o prefeito não foi convidado para a festa da Força. "Com o Kassab, o PDT não tem mais nenhuma relação porque ele tem tratado os trabalhadores muito mal em São Paulo. E por isso nós nem convidamos ele para vir aqui [na festa da Força Sindical] hoje."

Raimundo Paccó/Folha Imagem
CUT promove sua festa em palco novo neste ano, no autódromo de Interlagos; veja galeria
CUT promove sua festa em palco novo neste ano, no autódromo de Interlagos; veja galeria

Kassab, por sua vez, afirmou que não pretendia constranger o PDT com sua presença. "Até para não constranger o PDT, que através dos seus dirigentes, há algumas semanas atrás, se afastou do nosso governo, do projeto político. E os dirigentes da Força são do PDT. É uma questão de respeito da minha parte", disse Kassab.

Reportagem da Folha de hoje informa que a opção de Kassab pela festa da CUT não tem relação com relatórios da Polícia Federal que mostram que Paulinho teria tramado "um escândalo" contra o prefeito.

Eleições

A disputa entre Geraldo Alckmin (PSDB) e e Kassab em torno de uma chapa única na corrida pela Prefeitura de São Paulo deram o tom do 1º de Maio. Os dois disputam a cabeça de chapa numa eventual aliança entre PSDB e DEM na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

"Eleição não é guerra. Eleição é um ato de amor às pessoas e à cidade. Não haverá nenhum problema, nenhum atrito", disse o tucano.

Alckmin disse entender que "é possível". "Temos até junho para fazê-la. No que depender de mim, sou um construtor de pontos e de diálogo", afirmou. Alckmin considerou ainda que, se a aliança não for possível no primeiro turno, "com certeza haverá no segundo turno".

Kassab apelou hoje para a manutenção da aliança que elegeu Fernando Henrique Cardoso presidente e José Serra governador para defender uma coligação entre DEM e PSDB em outubro.

"O importante é que todos nós estejamos perseguindo a continuidade da aliança política que existe entre o DEM e o PSDB. Aliança fortalecida com a vinda do PMDB. Esse é o nosso esforço, de uma aliança que elegeu Fernando Henrique presidente, o próprio Alckmin governador, a mim e ao Serra na Prefeitura, e depois, o Serra governador."

Kassab afirmou que a negociação dessa aliança com o PSDB continua, apesar de Alckmin anunciar que sai candidato na segunda-feira (05). "Os nossos esforços continuam neste sentido. É evidente que o partido tem os seus projetos e tem o nosso respeito", disse.

São Bernardo

Em clima de campanha eleitoral, o ministro da Previdência, Luiz Marinho, que participou da tradicional Missa do Trabalhador em São Bernardo do Campo (Grande ABC) nesta quinta-feira, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá seu candidato à prefeitura da cidade.

"O presidente Lula terá um candidato [nas eleições municipais de São Bernardo], e vai apoiá-lo de forma intensiva no papel de presidente e de cidadão da nossa cidade", afirmou Marinho.

Apesar de contar com o apoio do presidente, Marinho ainda não oficializou o anúncio da sua candidatura. "[A minha candidatura] será lançada quando for decidida. Tenho até 5 de junho para anunciar esta decisão. Neste momento, procuro viver intensamente o papel de ministro de Estado, porque há muito ainda o que fazer", disse.

 

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