Garcia descarta usar energia como moeda de troca por trigo argentino
da Agência Brasil
Com Folha de S.Paulo
O assessor da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse nesta sexta-feira que o fornecimento de energia para a Argentina não será usado como moeda de troca nas negociações sobre a importação de trigo pelo Brasil.
"São coisas que estão sendo encaminhadas cada uma de sua parte. As negociações do trigo também estão caminhando de forma adequada e as relações entre a Argentina e o Brasil estão muito boas", disse Garcia.
Garcia participa de reunião entre o ministro argentino do Planejamento, Investimentos e Serviços da Argentina, Julio De Vido, e o ministro brasileiro das Minas e Energia, Edison Lobão, para discutir o fornecimento de energia elétrica do Brasil ao país vizinho.
Segundo Garcia, a energia cedida à Argentina virá de térmicas a gás ou de hidrelétricas, com exceção da Usina de Itaipu, que só pode fornecer energia para o Brasil e para o Paraguai.
Antes do encontro, De Vido disse que o montante de energia a ser negociado vai depender do rigor do inverno em seu país. "Depende muito dos picos de temperatura no inverno. No ano passado, foi o inverno mais cruel e foram incorporados quase mil megawatts", afirmou.
Segundo o ministro argentino, a idéia é que o Brasil forneça energia ao país durante o inverno e a Argentina devolva essa energia durante a primavera.
Trigo
Segundo reportagem da Folha de ontem (1º), a Argentina vai liberar nos próximos dias a exportação de trigo para o país, após meses de suspensão das exportações e de reiterados pedidos do Brasil para que as vendas voltassem ao normal.
Segundo o presidente da Sociedade Rural Argentina, que reúne os maiores produtores do país, Luciano Miguens, a exportação de 100 mil toneladas de trigo para o Brasil seria liberada nos próximos dias e que os registros seguintes dependeriam de avaliação do saldo exportável.
Na mesma reunião, o governo se comprometeu a abrir também as exportações de carne bovina e garantir o preço pleno do trigo aos produtores, segundo os representantes das entidades rurais. Os acordos devem estender o prazo de trégua do locaute agropecuário, que vence hoje.
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