Dinheiro
02/05/2008 - 13h53

Relator da ONU pede limites à produção de biocombustíveis

da Efe, em Paris

O novo relator da ONU para o Direito à Alimentação, Olivier De Schutter, pediu que se limite a produção de biocombustíveis para fazer frente à alta dos alimentos observada em todo o mundo, segundo entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal francês "Le Monde".

Ao falar do efeito do crescimento da produção de biocombustíveis, acusados de influenciar em alta o preço dos alimentos, disse que apesar de não defender uma moratória no sentido jurídico, e de ter consciência de que não há volta quando se vê o peso que têm em um país como o Brasil, é preciso impor limites.

"As metas ambiciosas em matéria de produção de biocombustíveis estabelecidas em Estados Unidos e União Européia são irresponsáveis", disse De Schutter.

Além disso, dedicar 25% da colheita de milho à fabricação de combustível com ajuda pública é "um escândalo". Ele propôs que sejam congelados os investimentos nesse setor.

De Schutter manifestou ceticismo sobre as promessas dos biocombustíveis de segunda geração em termos de eficiência: "é preciso consumir menos energia, utilizar menos automóveis e não criar expectativas sobre a capacidade das novas tecnologias de nos permitir manter nosso nível de vida ocidental".

O relator da ONU criticou também a especulação de produtos alimentícios, que está por trás da atual crise de alimentos em mais de 40 países, e pediu apoio para a agricultura nessas nações pobres e dependentes do exterior.

De Schutter considerou "indesculpável" a falta de ação da comunidade internacional que, durante anos, ignorou aqueles que pediam "que se apóie a agricultura nos países em desenvolvimento", segundo entrevista publicada hoje no jornal francês "Le Monde".

"Não foi feito nada contra a especulação de matérias-primas" que foi alimentada pela queda da bolsa, indicou o representante da ONU, antes de afirmar que a crise atual evidencia os "limites" da "agricultura industrial".

O relator da ONU também criticou o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional) por ter incitado "os países mais endividados, em particular na África Subsaariana, a desenvolver cultivos de exportação e a importar os alimentos que consomem". Segundo ele, "esta liberalização tornou-os vulneráveis à volatilidade dos preços".

Para De Schutter, a auto-regulação do mercado "não é a solução, mas o problema", levando em conta que o mercado agrícola não é elástico, já que a quantidade de terras cultiváveis não pode ser ampliada "ao infinito'.

O responsável das Nações Unidas também defendeu "uma modificação das regras da propriedade intelectual" de "um pequeno número de empresas", e citou Monsanto, Dow Chemicals e Mosaic, que controlam as patentes das sementes, dos pesticidas ou dos fertilizantes e cujos lucros não param de crescer.

Quanto aos subsídios à agricultura nos países ricos, afirmou que o sistema é "uma vergonha", após lembrar que enquanto os camponeses das nações da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) recebem US$ 350 bilhões em ajudas ao ano --nos Estados em desenvolvimento o número se limita a US$ 1 bilhão.

No entanto, De Schutter defendeu uma "supressão gradual" desses subsídios, já que, se isso fosse feito de forma súbita, os países pobres que compram alimentos dos ricos teriam que pagá-los, a princípio, mais caros.

Comentários dos leitores
Jose Carlos Zuanazzi (6) 07/10/2008 11h28
Jose Carlos Zuanazzi (6) 07/10/2008 11h28
É o preço que países como o Brasil, por ser excencialmente agricola, têm que pagar. Seus produtos são negociados no mercado de "commodites" onde só os fortes interesses conseguem manejá-lo sem opinião
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Leonardo S. (78) 07/10/2008 11h26
Leonardo S. (78) 07/10/2008 11h26
O povo tem que parar de fazer filho. O Brasil está atrasando em 100 anos sua entrada no 1o. mundo pq os pobres fazem 5 filhos por casal enquanto a classe média faz 1. Resultado: A juventude do Brasil não estuda. O pior é que o Estado faz de conta que não acontece nada.
A pobreza é um problema cultural, e é difícil o Estado resolver. É muito difícil mudar a cabeça de uma pessoa. Os pais não estudaram, os filhos não estudam e os netos também não vão estudar. Apenas uma pequeníssima parcela estuda e ascende socialmente.
Solução de longo prazo para o Brasil: Esterilização compulsória quando a mulher dá a luz ao segundo filho na rede pública de saúde e mutirões de vasectomia. Isso vai se refletir daqui 20 anos na segurança pública, nos índices de escolaridade, na diminuição da pressão sobre os serviços públicos (postos de saúde, creches).
Coragem pra dizer e fazer isso? Ninguém tem.
sem opinião
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micael carneiro (1) 25/09/2008 14h07
micael carneiro (1) 25/09/2008 14h07
As verdadeiras causas das mudanças climática são muitas dentre elas destaco : o consumismo que para atende-lo precisamos explorar cada vez mais isto é retirar sempre que a demanda o exigir; o grande crescimento da população que para sobreviver precisa cada vez mais de espaço e alimento e não havendo controle da natalidade acabaremos consumindo tudo como um gafanhoto; o petroléo é nossa pricipal fonte energetica e precisamos depender cada vez menos do petroléo e não adianta sair culpando os carteis do petroléo, pois nos é quem somos dependêntes, quero ver você poder ir trabalhar, viajar se locomover sem seu carro. Temos sim que encontrar outras fontes energeticas pouco poluentes porque não existe fontes de energia não poluentes, pois onde tiver a existência do ser humano haverá poluição. Somos a unica espécie que não esta em equilibrio, pois os animais alimentam-se uns dos outros, quer dizer que um morre para o outro sobreviver e na nossa espécie alimentamos de quase tudo e todos e não temos predadores. A unica forma de viver sem poluir é larga a mordomia da civilização mordena e vivermos como os indios, quem se habilita?
A culpa das mudanças climáticas são de todos e a unica forma de isso acabar é eliminando os seres humanos.
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