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Dinheiro
02/05/2008 - 14h32

Brasil fornecerá energia a Argentina a partir deste mês, diz Lobão

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O fornecimento de energia do Brasil para a Argentina começa a partir deste mês e vai até agosto. O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse nesta sexta-feira que o acordo firmado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e da Argentina, Cristina Kirchner, prevê o fornecimento inicial de 800 MW (megawatts) podendo chegar a 1.500 MW (megawatts).

O acordo feito por Lula e Kirchner visa garantir o abastecimento de energia aos argentinos no período de três meses do rigoroso inverno na Argentina --ameaçado pela carência do produto.

Lobão disse que a energia fornecida à Argentina virá de hidrelétricas e termelétricas brasileiras --algumas térmicas a gás-- com exceção da usina de Itaipu, que só pode fornecer energia para o Brasil e para o Paraguai.

O ministro afirmou ainda que, pelo acordo, a Argentina se responsabiliza em pagar parte da energia fornecida e devolver o restante. Ele não citou percentuais, mas assegurou que de outubro a dezembro, o Brasil receberá a devolução da parte da energia fornecida aos argentinos.

Segundo Lobão, não há riscos de faltar energia para os brasileiros. "A energia não fará falta e nós precisamos ajudar os nossos irmãos argentinos", disse o ministro.

A conversa entre Lula e Cristina Kirchner ocorreu no começo de março, quando o governo brasileiro informou ter condições de colaborar com a Argentina depois do fim das chuvas no Brasil (abril). A presidente da Argentina também recorreu ao governo da Bolívia em busca de fornecimento de gás.

Trigo

O assessor da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse nesta sexta-feira que o fornecimento de energia para a Argentina não será usado como moeda de troca nas negociações sobre a importação de trigo pelo Brasil.

Segundo reportagem da Folha, a Argentina vai liberar nos próximos dias a exportação de trigo para o país, após meses de suspensão das exportações e de reiterados pedidos do Brasil para que as vendas voltassem ao normal.

 

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