Papéis de 2ª linha ganham com grau de investimento e Bovespa avança 2,16%
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) tem uma sessão de alta nesta sexta-feira e puxada por ações de empresas de segunda linha, que tradicionalmente não integram a linha de frente das principais valorizações do Ibovespa, o índice que reúne os 63 papéis de maior liquidez.
O Ibovespa opera em alta de 2,16%, aos 69.337 pontos, após ter ultrapassado os 70 mil pontos no início das negociações. O volume negociado é de R$ 8,15 bilhões. O dólar comercial recua 1,02%, cotado a R$ 1,647.
O pregão desta sexta-feira é o primeiro após a elevação da nota de risco do Brasil para grau de investimento pela Standard & Poor's na última quarta-feira (30). Segundo o chefe de análise do Banco Espírito Santo, Gilberto Pereira dos Santos, a obtenção do grau de investimento do Brasil abriu a perspectiva para os investidores avaliarem outras opções de papéis, além de Vale e Petrobras, de maior liquidez.
"O grau de investimento abre perspectiva para que todas as ações sejam avaliadas. E por que não olhar para papéis que precisam de correção técnica? (...) Estávamos em uma situação que o investidor estava preocupado com liquidez e comprava meia dúzia de papéis", explicou Santos.
Entre as maiores altas da Bovespa, despontam as ordinárias da Rossi Residencial (16,25%), as preferenciais das Lojas Americanas (15,54%), as ordinárias da B2W --que controla sites de varejo-- (15,19%), as preferenciais da Duratex (10,53%) e da Cesp (7,98%).
"É uma primeira correção de preços em função do grau de investimento. Os investidores estão procurando identificar outros papéis. Não dá para dizer, no entanto, que os papéis da Lojas Americanas, por exemplo, vão manter esse patamar", disse Santos.
Ele observa que entre as principais valorizações desta sexta-feira estão papéis que "estavam devendo uma correção técnica" e que ainda assim acumulam perdas no ano. "É preciso olhar a performance anterior. A Lojas Americanas e a Rossi Residencial, mesmo com a alta de hoje, ainda caem 15% no ano. Eram papéis que estavam devendo uma correção técnica", disse.
Para Álvaro Bandeira, da corretora Ágora Senior, o período pode ser um bom momento para compra de papéis, no caso do investidor de longo prazo. "No curto prazo, pode haver barriga de queda. Mas o grau de investimento é muito positivo para o mercado de capitais brasileiro. É um bom momento de compra para o investidor de longo prazo. Já o de curto prazo pode comprar papéis que podem ter reajuste, disse Bandeira.
Dados divulgados nos Estados Unidos nesta sexta-feira também animam o mercado e os investidores, sobretudo a eliminação de 20 mil vagas no país em abril, abaixo das expectativas. O dado foi visto como sinal de resistência da economia americana, que atravessa uma crise nos mercados imobiliário e de crédito.
Outro dado recebido com relativo otimismo foi o de pedidos às fábricas nos EUA em março, que registraram um crescimento de 1,4%, recuperando-se em relação a fevereiro, quando houve uma queda de 0,9%, e de uma queda ainda mais acentuada em janeiro, que foi de 2,3%.
"Há um clima positivo no mundo. Os dados sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos melhores do que o esperado e a ação conjunta dos Bancos Centrais para a injeção de liquidez hoje ajudam os mercados lá fora, que seguem em alta", diz Bandeira.
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