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Dinheiro
03/05/2008 - 09h33

Alta do preço do petróleo pressiona cadeia do plástico

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PEDRO SOARES
da Folha de S.Paulo, no Rio

Num cenário de cotação do petróleo na faixa dos US$ 120 o barril, alguns setores da economia brasileira já sofrem com o aumento, ainda que a Petrobras tenha segurado os reajustes dos principais derivados e só tenha tomado a decisão de aumentá-los nesta semana.

Uma das atividades mais afetadas pela persistente alta do petróleo é a cadeia do plástico. Na esteira do reajuste da nafta, as resinas plásticas (polipropileno, polietileno e outras) tiveram aumento de 11% a 20% somente em 2007 (de acordo com o produto), segundo a Abiplast. A entidade representa mais de 2.000 empresas que transformam resinas em utensílios plásticos (terceira geração da petroquímica).

Merheg Cachum, presidente da Abiplast, disse que os aumentos só não foram maiores porque a queda do dólar compensou parcialmente o reajuste do barril do petróleo.

Combalido pela invasão de produtos da China, o setor é agora atingido pela forte pressão do custo das resinas, segundo Cachum. "Trabalhamos com margens cada vez mais deprimidas. Muitas empresas já estão no vermelho", diz.

Neste ano, o executivo afirma que as petroquímicas (produtoras das resinas, matérias-primas do plástico, cujo insumos básicos são derivados de petróleo, como nafta, ou gás natural) já sinalizaram nova rodada de reajuste das resinas.

As petroquímicas, por sua vez, sofrem com o aumento do custo dos insumos. A nafta subiu 20% no ano passado, num nível maior do que o reajuste médio do preço do petróleo (10%), ressaltou a Unipar em seu último balanço.

Ainda assim, a companhia expandiu seu lucro --em 60%, para R$ 145 milhões-- graças à recuperação de margens de comercialização de seus principais produtos (eteno e polietileno). Ou seja, a empresa, assim como outras petroquímicas, conseguiu elevar preços, compensando o aumento do custo da nafta, dizem especialistas.

É que a demanda por petroquímicos segue em alta no país, embalada pela expansão econômica e da renda. O consumo subiu 8% em 2007, disse a Braskem em seu balanço.

Gás e querosene

Desde 2005, a Petrobras não reajustava diesel e gasolina até os aumentos de 10% e 15% na refinaria, respectivamente. O GLP (gás de cozinha) para uso doméstico, por sua vez, continuou sem correção.

Desse modo, a estatal evitou grandes impactos do vaivém dos preços internacionais do petróleo no mercado brasileiro. Mas a empresa adotou a estratégia de "comer pelas beiradas" durante esse período, ao corrigir os preços de derivados usados pela indústria como óleo combustível, nafta e QAV (querosene de aviação).

Desses, o mais volátil é o QAV: seus preços sobem ou descem mensalmente. No ano passado, tiveram alta de 12,6%. Na virada do ano, o derivado subiu mais 2,8%. Um novo reajuste foi anunciado em 1º de abril --10,4%. No ano passado, a alta acumulada chegou a 12,5%. As companhias áreas sofrem com o aumento, pois um terço de seus custos são atrelados ao combustível.

Neste ano, a estatal introduziu uma novidade em sua política de preços, diante da forte alta do petróleo e seus derivados no mercado internacional: elevou em 10% em abril o preço do GLP destinado à indústria (vasilhame de 45 kg ou granel).

O GLP de uso industrial já havia subido 15% na virada do ano. Poupou, porém, o consumidor residencial dos aumentos (botijão de 13 kg).

Segundo Amaro Helfstein, diretor comercial e de operações da Copagaz, a prática de adotar preços diferenciados pode causar uma desorganização no mercado e levar clientes industriais a comprarem o botijão de uso doméstico -ou seja, afetando, desse modo a receita das distribuidoras.

Segundo a consultoria CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura), antes dos reajustes dos combustíveis desta semana, havia uma defasagem de 22% no preço da gasolina e de 30% do preço do diesel em relação ao mercado externo.

Ao vender seus produtos mais baratos, a estatal deixou de faturar diariamente R$ 19,1 milhões. Desde setembro de 2005, quando reajustou os combustíveis pela última vez, a cifra chega a R$ 4,6 bilhões.

Para Adriano Pires, sócio da consultoria, a estatal só não foi obrigada a corrigir todos os seus preços --e não apenas a dos derivados destinados à indústria-- por causa do câmbio favorável, já que o real se valorizou e reduziu a diferença das cotações internas e externas.

 

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