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Dinheiro
05/05/2008 - 09h58

Lula diz que Brasil passa por momento mágico e pede "euforia comedida"

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da Folha Online
da Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que o Brasil passa por um momento "mágico" após uma das principais agências de risco ter elevado a classificação do país para grau de investimento. Ele recomendou, contudo, que haja "euforia comedida" e se saiba controlar os gastos, além de não "vacilar" no cumprimento das metas do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento).

"Tenho dito que é quase como se fosse um momento mágico para o país. Mas eu digo sempre que tem que ter uma euforia comedida, ou seja, nós temos que saber que em política econômica você tem que estar de olho todo dia, porque precisa olhar os gastos que faz. Você não pode gastar mais do que aquilo que você ganha", afirmou Lula em seu programa semanal de rádio "Café com o Presidente".

Entenda o que é "rating" ou nota de risco

Segundo Lula, o governo não pode correr o risco de em não cumprir os compromissos assumidos com o PAC, como fazer as obras de infra-estrutura.

"Então, eu acredito que nós precisamos ficar felizes, mas ao mesmo tempo com muita seriedade e com muita sensatez para que a gente não permita que a euforia faça com que a gente abandone a seriedade com que estamos trabalhando até agora."

O presidente lembrou que um conjunto de fatores fez com o que o Brasil conquistasse o grau de investimento. "Não é apenas uma coisa. É você combinar o crescimento econômico, o fortalecimento da empresa, o fortalecimento da agricultura e ao mesmo tempo você não descuidar da área social, fazendo com que as pessoas que vivem com menos posses possam conquistar alguma coisa. Cuidar da educação com muito carinho e nós estamos fazendo isso", ressaltou o presidente.

"Up grade"

Na última sexta-feira, dois dias depois de anunciar o grau de investimento do Brasil, a agência de classificação Standard & Poor's informou que para ganhar um novo "up grade", o país precisa apertar sua política fiscal e ter um crescimento econômico (Produto Interno Bruto) maior.

Em teleconferência com investidores, Lisa Schineller, analista do Brasil para a S&P e diretora de ratings (notas de risco) soberanos da agência, afirmou que espera ver neste ano uma queda mais expressiva da relação dívida/PIB.

Sobre a moeda brasileira, Lisa disse acreditar que o real irá enfraquecer, apesar do fluxo de capital externo que o grau de investimento traz. Segunda ela, os motivos são o déficit em conta corrente e a redução do superávit da balança comercial.

Entenda

O rating é uma opinião sobre a capacidade de um país ou uma empresa saldar seus compromissos financeiros. A avaliação é feita por empresas especializadas, as agências de classificação de risco, que emitem notas, expressas na forma de letras e sinais aritméticos, que apontam para o maior ou menor risco de ocorrência de um "default", isto é, de suspensão de pagamentos.

Para publicar uma nota de risco de crédito, os especialistas dessas agências avaliam além da situação financeira de um país, as condições do mercado mundial e a opinião de especialistas da iniciativa privada, fontes oficiais e acadêmicas.

O rating é sempre aplicado a títulos de dívida de algum emissor. Se uma empresa quer captar recursos no mercado e oferece papéis que rendem juros a investidores, a agência prepara o rating desses títulos para que os potenciais compradores avaliem os riscos.

As agências, portanto, classificam debêntures, "medium-term notes", títulos de dívida conversível, mas não ações.

 

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