Banqueiro suíço desvincula especulação da alta nos preços dos alimentos
da Efe, em Genebra
O presidente da Associação de Banqueiros Suíços, Pierre Mirabaud, rebateu hoje o argumento de que os fundos especulativos são um dos maiores responsáveis do forte aumentos dos preços de alguns produtos agrícolas básicos, o que provocou uma crise alimentícia em vários países em desenvolvimento.
"A especulação acompanhou o movimento [de alta] dos preços, mas não é responsável pela tendência", defendeu o representante da associação bancária.
Afirmou que "é um grave erro misturar o ocorrido com o setor de 'subprimes' [créditos de alto risco nos Estados Unidos] com o aumento do preço do arroz. Não têm nada a ver."
A alta espetacular do preço das matérias-primas está relacionada mais ao forte crescimento dos "países emergentes", afirmou Mirabaud.
O problema dos preços dos alimentos, no entanto, exige uma "resposta imediata", disse hoje o presidente do ADB (Banco Asiático de Desenvolvimento, na sigla em inglês), Haruhiko Kuroda. "Esse aumento dos preços tem uma cruel dimensão humana e afetará gravemente cerca de um bilhão de pessoas na Ásia e no Pacífico. Seu poder aquisitivo foi afetado e estas pessoas correm um risco maior de caírem na fome e na desnutrição", disse Kuroda. "Devemos nos centrar no aumento dos preços e em nossa resposta imediata."
Os preços dos alimentos quase duplicaram no mundo nos últimos três anos, de acordo com o Banco Mundial, o que provocou revoltas em abril no Egito e no Haiti, manifestações em vários países e restrições às exportações de vários produtores, entre eles Brasil, Vietnã, Índia e Egito.
Como possível solução, o presidente do ADB apontou a possibilidade de aumentar a produção agrícola para cobrir o aumento da demanda dos próximos anos. Segundo ele, os habitantes dos países pobres gastam 60% de sua renda em comida e 15% em consumo de energia, e por isso ressaltou o impacto tão grande do aumento inflacionário sobre eles.
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