Assessor da ONU critica promoção de biocombustíveis na Europa e EUA
da France Presse, em Bruxelas
O economista americano Jeffrey Sachs, assessor especial do secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), pediu hoje a redução dos programas americano e europeu de promoção dos biocombustíveis que, segundo ele, "não têm sentido" ante a crise alimentar mundial.
"Devemos reduzir de forma significativa nossos programas de biocombustíveis, compreensíveis quando os preços dos alimentos eram muito mais baixos e as reservas de alimentos maiores. Não têm sentido hoje em dia, em condições de fome mundial", declarou Sachs durante entrevista à imprensa no Parlamento em Bruxelas.
Sachs reconheceu que o impacto do programa americano era mais significativo, embora tenha destacado que os biocombustíveis europeus --limitados no momento, mas que devem aumentar 10% em 2020-- também tenham um "verdadeiro impacto".
"Recomendaria pelo menos uma revisão dos dois [programas, o americano e o europeu] em função das novas condições do mercado", insistiu o assessor especial de Ban Ki-moon encarregado dos Objetivos do Milênio para o Desenvolvimento.
Sachs, que vinculou a crise alimentar ao aumento da demanda e às catástrofes climáticas, pediu que o problema não fosse respondido unicamente através de uma ajuda de emergência.
"A primeira etapa deveria ser ajudar os pequenos agricultores na África e em outras regiões de pequena receita a aumentar seu rendimento", oferecendo-lhes a tecnologia necessária, indicou Sachs.
O programa mundial de alimentos da ONU busca financiamento para uma ajuda de emergência de US$ 755 milhões.
Segundo o Banco Mundial, 33 países do mundo estão ameaçados por problemas políticos e desordens sociais como parte do aumento brutal dos preços dos produtos agrícolas e energéticos.
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