Petróleo cerca os US$ 120 e fecha em novo recorde em NY
da Folha Online
Após ultrapassar os US$ 120, o barril do petróleo fechou em alta de US$ 3,65 nesta segunda-feira e atingiu cotação recorde em Nova York, influenciado por temores sobre a produção na Nigéria e sinais de enfraquecimento do dólar.
O barril do petróleo cru para entrega em junho encerrou a sessão na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês) aos US$ 119,97, em alta de 3,1%, depois de ter ultrapassado pela primeira vez os US$ 120.
Referencial na Europa, o barril do Brent para entrega em junho fechou a US$ 117,99, em alta de US$ 3,43 em relação ao encerramento do pregão de sexta-feira, quando acabou em US$ 114,56. Durante a sessão, o Brent marcou um novo recorde, ao atingir a cotação de US$ 118,58.
Na sexta-feira, a commodity já tinha disparado US$ 3,80 em NY, aos US$ 116,32, impulsionada pela divulgação de números melhores do que o previsto do mercado de trabalho nos Estados Unidos e de uma incursão aérea turca no norte do Iraque, um dos principais exportadores de petróleo.
A disparada do petróleo cru, aos US$ 120,36 nesta segunda-feira, teve como principal influencia um novo ataque em um oleoduto operado pela Shell na região de produção de petróleo da Nigéria, no fim de semana.
As ameaças de rebeldes no Iraque, que prometem promover ataques suicidas contra interesses americanos para punir os Estados Unidos por compartilhar dados estratégicos com a Turquia, também preocupam negociadores. Um possível conflito poderia suspender a produção naquele país.
Na Nigéria, o porta-voz da Royal Dutch Shell disse que a produção de petróleo na região caiu após os ataques de rebeldes. O país é o maior produtor africano de óleo cru.
Além disso, o enfraquecimento do dólar (moeda em que a commodity é cotada) dá a investidores mais motivos para comprar a matéria-prima. Muitos compram petróleo para se proteger da desvalorização da moeda americana e de pressões inflacionárias.
"É a prudência que empurra os investidores a se lançar no petróleo cada vez que há uma interrupção da produção", explica Ben Tsocanos, da Standard and Poor's.
Segundo James Williams, da WTRG Energy, no entanto, "no ano passado, os mercados enfrentaram interrupções de produção e aprenderam a incorporar esse fator. Quando há sabotagem em um oleoduto, se repara em alguns dias, e não há justificativa para uma disparada dos preços".
Diante do enfraquecimento do setor imobiliário e da desaceleração econômica mundial, "os investidores não têm outra alternativa que o petróleo para colocar seu dinheiro e ter lucro", acrescentou Williams.
Com agências internacionais
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