Dinheiro
05/05/2008 - 16h44

Bancos centrais alertam para alta dos preços dos alimentos

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da Reuters
da Folha Online

A alta dos preços dos alimentos tem alimentado a inflação no mundo todo. Para que os preços encontrem um patamar mais moderado, é preciso estimular a competição nos mercados e a liberalização do comércio, segundo avaliação dos presidentes de bancos centrais reunidos nesta segunda-feira no BIS (Banco de Compensações Internacionais, na sigla em inglês), na Basiléia (Suíça).

O presidente do BCE (Banco central Europeu), Jean-Claude Trichet, disse que todos os países, sem exceção, foram afetados pelos riscos de inflação elevados pela alta nos preços dos alimentos, além de outras commodities, e da energia.

"Os preços dos alimentos são um dos pontos que mencionamos constantemente", disse Trichet. "Isso se tornou um elemento a mais além dos preços da energia, dos metais e de outras commodities e isso é um fenômeno importante em nível global."

A recomendação dos presidentes de bancos centrais é para que os mercados se abram mais à competição a fim de nivelar os preços --que, no caso dos alimentos, aumentaram devido à elevação dos padrões de vida nos países em desenvolvimento, às mudanças climáticas e, possivelmente, também à especulação.

Alguns dos presentes ao encontro consideraram que os instrumentos tradicionais de política monetária à disposição dos BCs (como o controle da taxa básica de juros) não são adequados para lidar com a inflação dos preços dos alimentos. "As pressões dos alimentos são um dos problemas mais sérios que temos a encarar agora", disse o presidente do Banco Nacional (BC da Polônia), Slawomir Skrzypek. "A pressão [dos preços] dos alimentos é um problema global, temos de observá-lo, monitorá-lo, mas não podemos usar instrumentos de política monetária para lidar com esse problema."

Trichet disse ainda que o crescimento da economia mundial deve continuar significativo, ainda que em ritmo algo menor, com o desempenho resistente dos países em desenvolvimento ofuscando o ritmo mais lento dos países desenvolvidos.

O presidente do Banco do Povo da China (BC chinês), Zhou Xiaochuan, disse que o impacto sobre as exportações do país causado pelo desaquecimento da economia dos Estados Unidos (principal destino das exportações chinesas) será pequeno. "Os EUA podem importar um pouco menos da China. Podemos ver esse fenômeno, mas não de modo significativo", disse.

Outros participantes do evento foram o vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano) Donald Kohn e o novo presidente do Banco do Japão (BC japonês), Masaaki Shirakawa --que não fizeram comentários após o encontro.

Força-tarefa

No mês passado, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-Moon, anunciou o estabelecimento de uma força-tarefa das agências da organização para apresentar soluções coordenadas para a crise provocada pelo forte aumento dos preços dos alimentos no mercado internacional.

A ONU descreveu o problema como "um desafio global de proporções sem precedentes". Para o secretário, o mundo enfrenta o risco de fome generalizada, problemas relacionados à má nutrição e distúrbios sociais.

O anúncio de Ban foi feito após uma reunião de dois dias em Berna, na Suíça, com representantes do Programa Mundial de Alimentos da ONU, da FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), de outras 20 agências da ONU, além dos presidentes do Banco Mundial, Robert Zoellick, e da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy.

A ONU estima que 100 milhões de pessoas já foram atingidas pela recente escalada no preço dos alimentos em todo o mundo.

Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, alertou os países a evitarem medidas como a suspensão de exportações de alimentos, dizendo que a estocagem dos mesmos pode elevar ainda mais os preços. Na Ásia, alguns países suspenderam exportações de arroz para garantir o suprimento da demanda interna. No ano passado, o preço do cereal subiu mais de 90%.

Comentários dos leitores
Renato Ribeiro de Oliveira (1) 15/10/2009 19h58
Renato Ribeiro de Oliveira (1) 15/10/2009 19h58
A população mundial esta cega! pensando em quanto o mercado de ações vai ser bom, se o dólar vai cair ou subir, e esquecemos de pessoas que estão passando fome a nossa volta.
No mundo composto por 6 bilhões de pessoas, 4 bilhões passam com menos de 2 dólares por dia!
A teoria de Malthus foi quebrada, hoje à alimentos para todos, porém o excedente fica nas mãos de poucas pessoas no mundo.
O que está errado? Nada mais do que o sistema! esse sistema concentrador acaba bdneficiando poucas pessoas e excluindo a grande maioria da população. Como diz o economista chileno Max Neef: A economia esta para servir as pessoas e não o contrário.
Temos que parar com essa corrida desenfrada do excedente, e pensar numa solução justa para todos.

Renato Ribeiro de Oliveira - 4° ano de Economia - FAC FITO - Osasco - SP - Brasil.
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Marcos Antonio Fernandes (5) 14/10/2009 13h34
Marcos Antonio Fernandes (5) 14/10/2009 13h34
Estudos científicos divulgados ao final da década passada indicaram que se todas as nações do mundo, ao invés de aplicarem substanciais parcelas de seus respectivos Produto Interno Bruto (PIB) em materiais bélicos, que, em termos atuais, atinge a extraordinária cifra de 2.000.000.000.000US$ (dois trilhões de dólares) ao ano, em políticas públicas adequadas para o combate a essa gravíssima situação, em apenas 5 (cinco) anos seria possível não só a erradição da fome, quanto a geração de emprego e renda para todos os habitantes do planeta Terra, proporcionando-lhes, por conseguinte, uma vida digna.
É lamentável constatar, pois, de acordo com reconhece, aliás, um dos dirigentes da FAO, que a eliminação da fome e da subnutrição dependa tão-só de vontade política.
Salta à evidência, pois, que o homem está se utilizando, de forma equivocada, do livre arbítrio que o ente supremo lhe concedeu, expondo a condições sub-humanas mais de um bilhão de seus semelhantes.
É bem por isso que o Armagedon se aproxima, nisto crendo quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir.
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Antonio Fouto Dias (2566) 13/10/2009 14h04
Antonio Fouto Dias (2566) 13/10/2009 14h04
Os produtores de cana que se cuidem, uma vez que, quando se iniciar a exploraçãodo pre-sal e o Brasil estiver produzindo muito mais do que sua real necessidade de consumo de petróleo, certamente, mesmo que a Petrobrás não queira, os preços do óleo diesel e da gasolina irão cair, fato que tornará o consumo de álcool não compensador, pois se o preço de ambos os combustíveis estiverem iguais ou próximos, o proprietário do veículo optará pela gasolina, pois será mais econômica.
Se agora, do jeito que está já existem problemas no setor alcooleiro, imaginem então com o preço dos combustíveis oriundos do petróleo de baixo valor.
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