Bancos centrais alertam para alta dos preços dos alimentos
da Reuters
da Folha Online
A alta dos preços dos alimentos tem alimentado a inflação no mundo todo. Para que os preços encontrem um patamar mais moderado, é preciso estimular a competição nos mercados e a liberalização do comércio, segundo avaliação dos presidentes de bancos centrais reunidos nesta segunda-feira no BIS (Banco de Compensações Internacionais, na sigla em inglês), na Basiléia (Suíça).
O presidente do BCE (Banco central Europeu), Jean-Claude Trichet, disse que todos os países, sem exceção, foram afetados pelos riscos de inflação elevados pela alta nos preços dos alimentos, além de outras commodities, e da energia.
"Os preços dos alimentos são um dos pontos que mencionamos constantemente", disse Trichet. "Isso se tornou um elemento a mais além dos preços da energia, dos metais e de outras commodities e isso é um fenômeno importante em nível global."
A recomendação dos presidentes de bancos centrais é para que os mercados se abram mais à competição a fim de nivelar os preços --que, no caso dos alimentos, aumentaram devido à elevação dos padrões de vida nos países em desenvolvimento, às mudanças climáticas e, possivelmente, também à especulação.
Alguns dos presentes ao encontro consideraram que os instrumentos tradicionais de política monetária à disposição dos BCs (como o controle da taxa básica de juros) não são adequados para lidar com a inflação dos preços dos alimentos. "As pressões dos alimentos são um dos problemas mais sérios que temos a encarar agora", disse o presidente do Banco Nacional (BC da Polônia), Slawomir Skrzypek. "A pressão [dos preços] dos alimentos é um problema global, temos de observá-lo, monitorá-lo, mas não podemos usar instrumentos de política monetária para lidar com esse problema."
Trichet disse ainda que o crescimento da economia mundial deve continuar significativo, ainda que em ritmo algo menor, com o desempenho resistente dos países em desenvolvimento ofuscando o ritmo mais lento dos países desenvolvidos.
O presidente do Banco do Povo da China (BC chinês), Zhou Xiaochuan, disse que o impacto sobre as exportações do país causado pelo desaquecimento da economia dos Estados Unidos (principal destino das exportações chinesas) será pequeno. "Os EUA podem importar um pouco menos da China. Podemos ver esse fenômeno, mas não de modo significativo", disse.
Outros participantes do evento foram o vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano) Donald Kohn e o novo presidente do Banco do Japão (BC japonês), Masaaki Shirakawa --que não fizeram comentários após o encontro.
Força-tarefa
No mês passado, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-Moon, anunciou o estabelecimento de uma força-tarefa das agências da organização para apresentar soluções coordenadas para a crise provocada pelo forte aumento dos preços dos alimentos no mercado internacional.
A ONU descreveu o problema como "um desafio global de proporções sem precedentes". Para o secretário, o mundo enfrenta o risco de fome generalizada, problemas relacionados à má nutrição e distúrbios sociais.
O anúncio de Ban foi feito após uma reunião de dois dias em Berna, na Suíça, com representantes do Programa Mundial de Alimentos da ONU, da FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), de outras 20 agências da ONU, além dos presidentes do Banco Mundial, Robert Zoellick, e da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy.
A ONU estima que 100 milhões de pessoas já foram atingidas pela recente escalada no preço dos alimentos em todo o mundo.
Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, alertou os países a evitarem medidas como a suspensão de exportações de alimentos, dizendo que a estocagem dos mesmos pode elevar ainda mais os preços. Na Ásia, alguns países suspenderam exportações de arroz para garantir o suprimento da demanda interna. No ano passado, o preço do cereal subiu mais de 90%.
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A análise comparativa nos mostra que há, de fato, um preço que está totalmente fora de lugar no Brasil. Um ponto totalmente fora da curva. Uma anomalia internacional. Trata-se da taxa real de juros, ou do preço do dinheiro, que no Brasil é cerca de 7 a 8 vezes mais caro que no resto do mundo. Será que todo o mundo está errado e o Brasil certo? Cabe ao Banco Central, órgão responsável pela política monetária no Brasil, responder esta questão". (Alcides Leite Domingues - professor de Mercado Financeiro da Trevisan Escola de Negócios) -artigo publicado no Valor Econômico em 14/5.
O que justifica termos a maior taxa selic do mundo senão satisfazer aos interesses dos financistas nacionais e estrangeiros, que abocanham, apenas de juros, cerca de R$ 170 bilhões, por ano, do nosso restrito orçamento (Saúde: 50 bi; Educação: 40 bi)? E o sr. Meirelles já dá indicações de que a selic ainda irá aumentar para conter a tal inflação... Apenas o governo "popular" de Lula deu a esses sanguessugas algo em torno de R$ 800 bilhões, só de juros, sobre uma dívida que já está em R$ 1 trilhão e 300 bilhões. Aonde iremos parar? Pobre Brasil...
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