Ministro angolano nega que alta do petróleo seja culpa de produtores
da Reuters
da Folha Online
O ministro do Petróleo de Angola, Desidério Costa, disse nesta segunda-feira que os países produtores de petróleo não são responsáveis pelos preços recorde da commodity e que não estão lucrando com essa situação.
"O interesse da Opep [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] é pelo diálogo", disse Costa, após discurso durante a OTC (Offshore Technology Conference), maior evento da indústria de petróleo offshore no mundo, em Houston (Texas). "O motivo dos preços estarem altos não é de responsabilidade dos produtores."
Ele citou razões como a especulação no mercado petrolífero e a queda do dólar frente a outras moedas fortes --em particular o euro-- como os dois principais motivos para o petróleo ter disparado no mercado internacional.
Hoje o preço do barril do petróleo ultrapassou a marca dos US$ 120, e encerrou o dia cotado no valor recorde para um fechamento de US$ 119,97.
Na sexta-feira, a commodity já tinha disparado US$ 3,80, aos US$ 116,32, impulsionada pela divulgação de números melhores do que o previsto do mercado de trabalho nos Estados Unidos e de uma incursão aérea turca no norte do Iraque, um dos principais exportadores de petróleo.
A disparada do petróleo cru, aos US$ 120,36 nesta segunda-feira, teve como principal influencia um novo ataque em um oleoduto operado pela Shell na região de produção de petróleo da Nigéria, no fim de semana.
"O lucro não está indo para o produtor", disse Costa, sem dar maiores detalhes.
A expectativa do ministro angolano é de que seu país consiga elevar sua produção em dois milhões de barris por dia no próximo ano, com o impulso dos projetos para exploração em águas profundas. "O potencial é grande", afirmou.
A produção de Angola atualmente é de 1,9 milhão de barris por dia, disse Costa. O país entrou para a Opep no ano passado.
Brasil
Costa disse que a descoberta no Brasil do campo de Tupi, na Bacia de Santos, é "um encorajamento"; Angola pretende desenvolver campos em águas profundas e que as reservas do país ficam em locais com características geológicas similares às das reservas de Tupi.
"Na minha opinião pessoal não seria mal para o Brasil se juntar à Opep", disse.
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