Greve da Receita não prejudica operações no Rio, diz presidente da Docas
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
As operações nos portos do Rio de Janeiro e de Itaguaí não tiveram alteração significativa por conta da greve dos auditores da Receita Federal, informou nesta segunda-feira o presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro, Jorge Luiz de Mello.
A Docas é responsável pela administração dos portos, que receberão investimentos estimados de R$ 300 milhões nos próximos anos, para obras de dragagem previstas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
"Esses portos têm muitas operações internacionais, e não estamos percebendo efeitos relevantes por conta da greve da Receita. O efetivo que está operando está sendo suficiente para garantir o andamento nos portos", afirmou Mello, ao comentar possíveis efeitos da greve iniciada em 18 de março.
Os dados consolidados de janeiro a março indicam que a movimentação de contêineres no porto de Itaguaí cresceu 9,8% em relação a igual período em 2007, chegando a 57.492 TEUs [contêineres de 20 pés]. No porto do Rio, o volume de contêineres movimentados teve incremento de 5,1%, totalizando 88.180 TEUs.
Recentemente, a Docas concluiu licitação para contratação das obras de dragagem no porto de Itaguaí, que custarão R$ 64 milhões, com previsão de conclusão para o ano que vem. As obras de dragagem no porto do Rio, com custo estimado em R$ 150 milhões, dependem ainda da concessão de licenciamento ambiental. Mello disse que a expectativa é que a liberação saia no 2º semestre.
Será necessário ainda dragagem da extensão do canal do porto de Itaguaí, que atenderá à CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico), que está sendo erguida junto ao local. O custo da obras é estimado em R$ 80 milhões.
"Temos que estar preparados para a expectativa de aumento da demanda por conta do crescimento econômico que já está ocorrendo. O porto é o indutor, tem que dar estrutura para que as coisas aconteçam", observou Mello.
Docas pretende concluir nos próximos 60 dias estudo relativo à ampliação da retroárea do porto do Rio, que prevê o aterro de parte da baía de Guanabara. Depois da conclusão do estudo, a expansão teria que ser aprovada, para que seja pedido o licenciamento ambiental. Seria mais 1,2 milhão de metros quadrados, que dobraria a retroárea do porto. Isso possibilitaria agregar capacidade de mais 3,3 milhões de unidades de contêiner por ano. Atualmente, a capacidade é de 1 milhão de unidades.
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