Empresas voltarão a captar no exterior devido ao grau de investimento, diz Itaú
YGOR SALLES
da Folha Online
As empresas devem voltar a fazer captação de recursos no exterior após a agência de classificação de risco Standard & Poor's ter concedido o grau de investimento ao Brasil na semana passada, disse nesta terça-feira o Diretor Executivo de Controladoria do Itaú, Silvio de Carvalho.
Segundo ele, a turbulência no mercado externo causado pela crise do crédito imobiliário de alto risco ("subprime") fez com que as empresas se voltassem ao mercado interno, o que deve ser revertido agora.
"Até o ano passado, as grandes empresas captavam [recursos] no exterior. Neste ano se voltaram ao mercado interno devido à crise", disse Carvalho durante teleconferência sobre os resultados do Itaú no primeiro trimestre. "Com o grau de investimento, poderão voltar ao mercado externo."
O próprio Itaú deve voltar a captar no exterior, segundo ele. "Estaremos mais presentes no mercado internacional devido ao investment grade", disse. Porém, Carvalho não quis detalhar nem como nem quando o banco pretende captar recursos.
Outro efeito imediato da obtenção do grau de investimento será a retomada dos lançamentos de ações na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), que estavam retraídos por causa da crise.
"O que [a crise] mais impactou é a Bolsa, mas o Brasil foi o menos afetado entre os principais mercados mundiais", disse o executivo do Itaú. "Afetou porque tivemos menor número de lançamento de ações, o que deve ser normalizado agora."
Custo de captação
A captação de recursos, inclusive, foi um dos maiores impactos negativos do resultado do banco --que lucrou R$ 2,017 bilhões no primeiro trimestre.
As despesas de intermediação financeira cresceram 195,3% entre o primeiro trimestre de 2007 e desse ano, atingindo R$ 6,826 bilhões.
"Tivemos que reforçar a captação devido ao crescimento do crédito", disse Carvalho.
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