Dinheiro
06/05/2008 - 15h37

ONU precisa de US$ 500 mi adicionais contra crise de alimentos, diz Banco Mundial

Publicidade

da Efe

O presidente do Banco Mundial (BM), Robert Zoellick, advertiu hoje que o WFP (Programa Mundial de Alimentos, na sigla em inglês) da ONU (Organização das Nações Unidas) precisa de "ao menos" US$ 500 milhões adicionais para "atender aos apelos de emergência" diante da alta mundial de preços dos produtos básicos.

No fim do mês passado, secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu à comunidade internacional que doe US$ 2,5 bilhões para enfrentar o problema. Agências da ONU e o Banco Mundial prometeram ainda criar uma força-tarefa contra a atual crise global de alimentos, que já provoca distúrbios em vários países.

Em artigo de opinião publicado hoje no jornal mexicano "Reforma", Zoellick indicou que "Estados Unidos, União Européia, Japão e outros países devem tomar medidas urgentes para suprir esse déficit" do programa de alimentos da ONU. Caso contrário, "muitos outros sofrerão e morrerão de fome", disse Zoellick, que iniciou hoje uma visita de dois dias ao México, de onde, depois, partirá para Colômbia.

Segundo Zoellick, a duplicação do preço dos alimentos durante os últimos três anos "poderia empobrecer ainda mais cerca de 100 milhões de habitantes de países pobres".

Hoje, o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAsD) anunciou em Madri que destinará US$ 500 milhões em ajuda financeira aos países da região mais afetados pela crise alimentar.

Zoellick afirmou, além disso, que a falta de alimentos não será um problema "passageiro", mas se manterá "pelo menos a médio prazo", devido às novas realidades demográficas, à mudança nas dietas da população e do clima, ao preço da energia, aos biocombustíveis.

O presidente do banco afirmou que essa situação afeta principalmente os mais pobres, e lembrou que as famílias de menor renda gastam dois terços de seu salário em alimentação.

Neste sentido, lembrou que a fome e a desnutrição são "as causas implícitas" da morte, a cada ano, de 3,5 milhões de crianças com menos de cinco anos no mundo. Para Zoellick, que esta manhã se reuniu com a secretária de Educação do México, Josefina Vázquez Mota, é necessário "um novo acordo em matéria de política alimentícia mundial".

Esse acordo deve se concentrar na fome, na desnutrição, no acesso e no abastecimento de alimentos, mas também na relação destes temas com a energia, rendimento das colheitas, mudança climática, marginalização da mulher e outros grupos vulneráveis, e o potencial de crescimento econômico na atual conjuntura internacional, disse.

Para ajudar aos países mais pobres, "é melhor o dinheiro ou os bônus que o apoio em produtos básicos, já que assim se poderá criar mercados de alimentos e produção agrícola no âmbito local", disse.

Zoellick ressaltou que o aumento da renda no setor agrícola "tem um poder três vezes maior de vencer a pobreza do que qualquer alta de renda em outros setores da economia", já que 75% dos pobres do mundo vivem em zonas rurais e a maioria trabalha no campo.

Comentários dos leitores
Renato Ribeiro de Oliveira (1) 15/10/2009 19h58
Renato Ribeiro de Oliveira (1) 15/10/2009 19h58
A população mundial esta cega! pensando em quanto o mercado de ações vai ser bom, se o dólar vai cair ou subir, e esquecemos de pessoas que estão passando fome a nossa volta.
No mundo composto por 6 bilhões de pessoas, 4 bilhões passam com menos de 2 dólares por dia!
A teoria de Malthus foi quebrada, hoje à alimentos para todos, porém o excedente fica nas mãos de poucas pessoas no mundo.
O que está errado? Nada mais do que o sistema! esse sistema concentrador acaba bdneficiando poucas pessoas e excluindo a grande maioria da população. Como diz o economista chileno Max Neef: A economia esta para servir as pessoas e não o contrário.
Temos que parar com essa corrida desenfrada do excedente, e pensar numa solução justa para todos.

Renato Ribeiro de Oliveira - 4° ano de Economia - FAC FITO - Osasco - SP - Brasil.
sem opinião
avalie fechar
Marcos Antonio Fernandes (5) 14/10/2009 13h34
Marcos Antonio Fernandes (5) 14/10/2009 13h34
Estudos científicos divulgados ao final da década passada indicaram que se todas as nações do mundo, ao invés de aplicarem substanciais parcelas de seus respectivos Produto Interno Bruto (PIB) em materiais bélicos, que, em termos atuais, atinge a extraordinária cifra de 2.000.000.000.000US$ (dois trilhões de dólares) ao ano, em políticas públicas adequadas para o combate a essa gravíssima situação, em apenas 5 (cinco) anos seria possível não só a erradição da fome, quanto a geração de emprego e renda para todos os habitantes do planeta Terra, proporcionando-lhes, por conseguinte, uma vida digna.
É lamentável constatar, pois, de acordo com reconhece, aliás, um dos dirigentes da FAO, que a eliminação da fome e da subnutrição dependa tão-só de vontade política.
Salta à evidência, pois, que o homem está se utilizando, de forma equivocada, do livre arbítrio que o ente supremo lhe concedeu, expondo a condições sub-humanas mais de um bilhão de seus semelhantes.
É bem por isso que o Armagedon se aproxima, nisto crendo quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir.
1 opinião
avalie fechar
Antonio Fouto Dias (2566) 13/10/2009 14h04
Antonio Fouto Dias (2566) 13/10/2009 14h04
Os produtores de cana que se cuidem, uma vez que, quando se iniciar a exploraçãodo pre-sal e o Brasil estiver produzindo muito mais do que sua real necessidade de consumo de petróleo, certamente, mesmo que a Petrobrás não queira, os preços do óleo diesel e da gasolina irão cair, fato que tornará o consumo de álcool não compensador, pois se o preço de ambos os combustíveis estiverem iguais ou próximos, o proprietário do veículo optará pela gasolina, pois será mais econômica.
Se agora, do jeito que está já existem problemas no setor alcooleiro, imaginem então com o preço dos combustíveis oriundos do petróleo de baixo valor.
1 opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (196)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca