Discussão de tratado de Itaipu não está em questão, diz Itamaraty
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
O diretor do departamento da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, João Luiz Pereira Pinto, disse nesta terça-feira que a discussão do tratado de Itaipu não está em questão. Pinto afirmou que o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, está "mal assessorado" ao defender o reajuste dos preços pagos pela energia pelo Brasil ao país vizinho e ao ameaçar levar a questão à Corte de Haia (Holanda).
"O tratado em si não está em questão, é um instrumento jurídico perfeito, equilibrado. O tratado nem sequer prevê essa alternativa (da Corte de Haia). É mais falta de informação ou má assessoria", afirmou.
O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, também disse que não há espaço para a renegociação do tratado e ressaltou que o Brasil poderia ajudar o Paraguai em outras questões.
"O Brasil tem possibilidade de ajudar nessa integração entre os países. Vivemos um bom momento na América Latina como um todo para a questão de integração", disse.
Segundo Samek, 66% da receita anual de Itaipu vai para o pagamento da dívida da usina com credores. Ele ressaltou que a dívida será paga até 2023 e que a usina é avaliada atualmente em US$ 60 bilhões, sendo metade patrimônio do Paraguai. Ele lembrou que o PIB do país é de apenas US$ 8 bilhões.
"O Paraguai e o Brasil vão sentar em cima de uma casa da moeda depois de 2023. A receita para o Paraguai será de US$ 1,6 bilhão por ano", afirmou.
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