Petróleo fecha acima dos US$ 121 pela primeira vez na história
da Folha Online
com France Presse, em Nova York
Os preços do petróleo fecharam pela primeira vez acima da barreira dos US$ 121 nesta terça-feira em Nova York, depois de alcançar um novo recorde absoluto durante a sessão, US$ 122,73, impulsionado pela contínua violência na Nigéria (um dos maiores exportadores de petróleo do mundo) e por uma leve queda da moeda americana.
Na Nymex (New York Mercantile Exchange), o barril de WTI para entrega em junho ultrapassou o recorde de segunda-feira, ganhando 1,56% e fechando a US$ 121,84. Antes, a commodity havia superado a marca dos US$ 122, alcançando um novo recorde absoluto, a US$ 122,73.
Em Londres, o barril do tipo Brent para entrega em junho também superou a marca histórica dos US$ 120, fechando a US$ 120,99.
Após encadear recordes desde sexta-feira, o petróleo quase duplicou seus preços em um ano, ganhando mais de US$ 20 desde o início de 2008.
Entre os fatores que levaram o barril a entrar na nova trajetória de altas estão o ataque contra um oleoduto operado pela Shell na região de produção de petróleo da Nigéria, no fim de semana. Continuam a pressionar as cotações da commodity, no entanto, a desvalorização do dólar (moeda em que a commodity é cotada) frente a outras moedas. O investimento no petróleo é visto como forma de proteção contra a queda do valor da moeda americana.
A Exxon Mobil informou hoje que conseguiu normalizar os níveis de produção na Nigéria após uma greve de oito dias --que paralisou a produção de cerca de 800 mil barris diários de petróleo--, mas a produção da Shell ainda está em cerca de 164 mil barris diários abaixo da produção normal, devido aos ataques.
"O mercado está influenciado pelo impacto das variações monetárias e pelas tensões geopolíticas, que tomam a forma de ameaças reais e potenciais sobre a oferta na Nigéria e no Irã, assim como por dados econômicos melhores que o previsto nos Estados Unidos", comentaram analistas do banco Barclays Capital.
Os preços do petróleo também foram empurrados para a alta por uma leve queda do dólar frente ao euro nesta terça-feira. A desvalorização da moeda americana leva os investidores a comprar matérias-primas cotadas em dólares para se proteger da inflação.
US$ 200
Hoje também o banco de investimentos Goldman Sachs informou que o preço do barril pode chegar a um patamar entre US$ 150 e US$ 200 devido ao crescimento inadequado da oferta. "A possibilidade de chegarmos a ficar entre US$ 150 e US$ 200 por barril parece cada vez mais provável no período dos próximos seis a 24 meses, embora prever qual poderá ser o pico atingido pelos preços do petróleo, bem como a duração do ciclo de altas, permanece uma grande incerteza", informou o banco, em nota.
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