Frete de insumos agrícolas deve subir até 8% neste mês, avalia sindicato
da Folha Online
da Agência Brasil
As transportadoras devem reajustar em até 8% o preço do frete de insumos agrícolas, segundo informou o presidente do Sindirações (Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal), Mário Sérgio Cutait. O reajuste do frete reflete a alta de 15% no preço do óleo diesel nas refinarias, anunciado na semana passada.
"As transportadoras já nos comunicaram que vão repassar o aumento desde o dia 5", disse Cutait, depois de participar de uma audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara que discutiu o aumento dos insumos agrícolas.
Cutait não soube precisar em quanto esse aumento refletirá no preço da ração animal, mas afirmou que haverá aumento. "Hoje, qualquer migalha conta", disse se referindo à conjuntura atual de alta no preço dos insumos agrícolas.
Segundo o presidente do Sindirações, o aquecimento da demanda mundial superior à expansão da produção tem gerado a elevação dos preços dos insumos nos últimos meses. O preço dos fertilizantes, por exemplo, aumentou de 40% a 100% nos últimos meses, como informou o diretor de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz de Araújo.
O diretor não informou, no entanto, se o aumento dos insumos pressionará ainda mais o preço dos alimentos, que já estão em alta. "Nós não sabemos, porque o agricultor não é um formador de preço, ele é um tomador de preço", afirmou Araújo.
Inflação
Ontem (6), o coordenador da pesquisa do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômica), Márcio Nakane, manifestou preocupação sobre os efeitos dos custos agrícolas sobre a inflação. Segundo ele, a estimativa da entidade de 4,5% para o IPC e de 9% para a inflação de alimentos em 2008 pode ser superada com os custos agrícolas.
"O cenário de inflação [para o ano] é otimista para alimentação, que se traduz também para o IPC. A taxa pode ser pior [para alimentação] neste ano, mas melhor que no ano passado. Se tiver problema de custo agrícola, deve piorar', disse Márcio Nakane, coordenador da pesquisa.
Em um cenário menos favorável para alimentos, com variação de preços da ordem de 11% para a taxa do ano, segundo Nakane, o IPC pode chegar a 5% em dezembro, na taxa anualizada. "Facilmente se chega a IPC de 5% com canários piores para alimentação."
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