Pior da crise financeira já passou, diz secretário do Tesouro dos EUA
da France Presse, em Washington
O secretário americano do Tesouro, Henry Paulson, afirmou que já passou o pior da turbulência financeira iniciada no ano passado crise do crédito hipotecário de risco ("subprime"). "Acho, realmente, que o pior deve estar para trás", comentou Paulson, em entrevista publicada nesta terça-feira no site do diário financeiro americano "The Wall Street Journal".
Ele admitiu, contudo, que "os solavancos" ainda são possíveis e que "ainda faltam mais alguns meses" para que a situação se estabilize.
O secretário também reconheceu que alguns mercados continuam sem funcionar normalmente, completou o jornal.
Ainda assim, avalia, "não há qualquer dúvida de que as coisas parecem, de longe, melhores hoje, em comparação a como estavam em março".
A crise no setor imobiliário (que está na raiz da turbulência que afetou os mercados financeiros nos últimos meses), no entanto, ainda não dá sinais de ter se dissipado. Hoje, a NAR (Associação Nacional de Corretores de Imóveis, na sigla em inglês) informou que as vendas pendentes de imóveis nos EUA em março atingiu o menor nível já registrado desde que o índice para esse segmento foi criado em 2001: o indicador atingiu 83 pontos naquele mês, um recuo de 1% em relação ao resultado de fevereiro, quando o índice caiu para 83,8 pontos.
O economista-chefe da associação, Lawrence Yun, disse em um comunicado que "as coisas estão começando a melhorar", mas destacou que a oferta de hipotecas com boas condições é desigual pelo país. A associação melhorou um pouco sua estimativa para as vendas de casas já existentes no país referente ao primeiro trimestre: a previsão é de que as vendas no período tenham registrado uma queda de 14,4%, contra uma estimativa anterior de 14,5%. Para 2008 como um todo, a previsão foi mantida em queda de 4,7%.
Ontem, a gigante americana do setor hipotecário Fannie Mae (uma das duas companhias do setor que contam com o respaldo do governo; a outra e a Freddie Mac) informou que teve um prejuízo de US$ 2,51 bilhões (US$ 5,57 por ação) no primeiro trimestre.
Os indicadores recentes do mercado imobiliário têm composto um cenário preocupante para os investidores: no fim do mês passado, o índice S&P/Case-Shiller mostrou que os preços dos imóveis residenciais em 20 regiões metropolitanas dos EUA tiveram queda em fevereiro, de 12,7%, na comparação com fevereiro de 2007.
A RealtyTrac (empresa que compila dados sobre o setor imobiliário), por sua vez, informou, também no fim do mês passado, que o número de imóveis residenciais nos EUA em processo de despejo teve um aumento de 112% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2007.
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