Dinheiro
07/05/2008 - 12h08

Despejos nos EUA são problema urgente e pedem soluções inovadoras, diz Fed

da Folha Online

O Federal Reserve (Fed, o BC americano) considera o crescimento dos processos de despejo nos EUA, devido à crise no mercado de hipotecas de risco (chamadas de "subprime"), um "problema urgente", disse nesta quarta-feira o membro do do Conselho de Governadores do banco Randall Kroszner.

Segundo Kroszner, são necessárias soluções não-tradicionais para ajudar os proprietários de imóveis residenciais com hipotecas não-tradicionais e outros problemas financeiros. Para ele, a desproporção entre os valores dos imóveis e os das hipotecas, além do declínio de preços visto nos últimos meses "estão entre os fatores centrais da recente alta na inadimplência e nos despejos", afirmou, em um evento no NeighborWorks Training Insititute, em Cincinnati Cincinnati (sudoeste de Ohio).

"Tomados individualmente, esses fatores de risco podem não ter elevado significativamente a probabilidade de que um proprietário atrasaria seus pagamentos; tomados em conjunto, no entanto, esses riscos aumentam essa probabilidade", disse.

Ele citou uma pesquisa feita pelo Federal Reserve de Boston (uma das 12 divisões regionais do BC americano) que mostrou que os proprietários que viram uma queda de 20% ou mais nos preços de seus imóveis têm uma probabilidade 14 vezes maior de atrasar os pagamentos de suas hipotecas do que os que viram uma elevação de preços de 20%.

Para ele, um refinanciamento tradicional das hipotecas em atraso não é mais uma opção e o Fed vem pedindo às instituições concessoras de crédito que busquem maneiras de evitar os despejos. "Ajustes temporários de pagamentos podem não ser suficientes (...) e reduções mais permanentes de taxas de juros ou extensões dos prazos dos financiamentos podem ser necessários para ajudar o devedor", disse.

Despejos

No fim do mês passado, a empresa RealtyTrac (que compila dados sobre o setor imobiliário) informou que o número de imóveis residenciais nos EUA em processo de despejo mais que dobrou no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2007. No país como um todo, 649.917 proprietários já receberam ao menos uma notificação referente a ação de despejo --um aumento de 112% na comparação com os 306.722 no primeiro trimestre de 2007.

O trimestre passado foi o quarto consecutivo de crescimento nas ações de despejo. "O que poderia aliviar a situação dos despejos seria ver as pessoas começarem a comprar imóveis de novo", disse o vice-presidente de marketing da RealtyTrac, Rick Sharga.

Ele disse, no entanto, que a redução da oferta de crédito para pessoas com histórico de inadimplência tem desacelerado o crescimento do risco de despejos. "É um ciclo que vai ser difícil quebrar e certamente não estamos no ponto de ruptura ainda", afirmou.

 

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