Dinheiro
07/05/2008 - 14h12

Inflação nos últimos 12 meses ultrapassa os 10%, aponta FGV

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

A inflação medida pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) nos últimos 12 meses ultrapassou a casa de dois dígitos pela primeira vez desde abril de 2005, somando 10,24%. É o maior índice para os últimos 12 meses desde março de 2005, quando a inflação acumulada ficara em 10,90%.

O economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas) responsável pela pesquisa, Salomão Quadros, disse que pelos menos até o início do 2º semestre, a expectativa é que a inflação acumulada em 12 meses mantenha-se acima dos 10%. Essa estimativa é apoiada nos baixos índices do IGP-DI entre maio e julho de 2007, e na esperada pressão de diversos produtos pesquisados.

"Durante algum tempo, a gente ainda vai permanecer nessa faixa. Até por uma questão matemática. No ano passado, havia inflações muito baixas no IGP, em torno de 0,15% e 0,20%. Hoje, está próxima a 1%. Não posso prever o que vai acontecer no mês que vem, mas estamos observando uma série de fatores que têm possibilidade de prosseguir pressionando", afirmou Quadros.

O economista destaca que o IGP de abril mostrou uma pressão mais generalizada, que não está concentrada nos alimentos. A novidade ficou por conta da pressão de produtos industriais, que, no atacado, tiveram alta de 1,77%, ante 0,94% em março. É a maior alta desde outubro de 2004, quando houvera aumento de 1,83%. Essa classe tem o triplo do peso dos produtos agropecuários, dentro do IPA (Índice de Produtos por Atacado).

"O IGP mostra que em abril, foram detectadas pressões na indústria. Se tem falado muito sobre alimentos, e a indústria de alimentos contribui para isso. Houve altas também entre fertilizantes, produtos siderúrgicos, minério, alumínio, insumos para a petroquímica. Há série de segmentos industriais, que não necessariamente irão repercutir sobre o consumo, mas que estão começando a sentir alguns aumentos de custos. Isso é uma faceta mais nova na inflação este mês", explicou.

Nos próximos meses, é aguardada a continuidade da alta dos preços do minério de ferro, que teve aumento de 13,48% em abril. No ano, o produto acumula alta de 27,04%. O ferro gusa, muito utilizado pela indústria siderúrgica, teve alta de 17,89%. O alumínio aumentou 7,07%, e os produtos siderúrgicos subiram 3,92%. A indústria automobilística promoveu reajuste de 1,05% no preço dos veículos em abril.

Entre outros fatores que deverão impactar na inflação futura, estão os combustíveis, cujo reajuste da gasolina e do diesel foi autorizado pela Petrobras no início deste mês. Mesmo assim, outros derivados do petróleo vem tendo seguidas altas. O QAV (querosene de aviação) subiu 9,68% em abril, e acumula alta de 28,22% nos últimos 12 meses. O óleo combustível teve aumento de 1,69% em março.

"O choque do petróleo já vem chegando, de alguma maneira, à inflação", observou Quadros.

 

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