Dinheiro
07/05/2008 - 16h28

Mantega diz que fundo do país no exterior poderá ter dinheiro de impostos

EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

O fundo que será administrado pelo governo no exterior (fundo soberano) deverá ser montado com recursos da arrecadação de impostos e com a compra de dólares pelo Tesouro Nacional na mercado interno. A informação é do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Ele esteve reunido hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para discutir esse e outros assuntos.

"[O dinheiro] poderá vir de fonte tributária e poderá vir também da aquisição de dólares no mercado local", disse Mantega. "Aliás, o Tesouro já compra dólares, já administra carteira de dólares, carteira de títulos, portanto está totalmente habilitado a fazer essas operações."

Sobre o valor, Mantega repetiu os números citados em reportagem desta quarta-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

"Indicativamente, a gente está pensando em algo como de 5% a 10% do volume de reservas [internacionais]. Mas não serão as reservas que serão utilizadas, é outro dinheiro. Será algo de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões, mas ainda não está fechado."

O fundo soberano é um instrumento financeiro criado por alguns países para administrar, geralmente, as suas reservas internacionais, o que não será o caso do Brasil. Em geral, são países com muitos dólares, oriundos principalmente de exportações. Entre os maiores fundos soberanos estão os da China, Cingapura, Arábia Saudita e Noruega.

Hoje, as reservas internacionais são administradas pelo Banco Central. Já o fundo deve ser gerido pelo Tesouro Nacional, subordinado ao Ministério da Fazenda.

À Folha, Mantega disse que, inicialmente, boa parte dos recursos será destinada a comprar debêntures do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social), para que a instituição tenha recursos destinados a financiar empresas brasileiras no exterior.

Uma vantagem da compra das debêntures (títulos de dívida de empresas) do BNDES, segundo Mantega, é o fato delas renderem mais do que as feitas com o dinheiro da reserva cambial. O debênture do BNDES pode render 11% ao ano ou IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mais 6,2%, dependendo do tipo de aplicação escolhida. As aplicações da reserva rendem no máximo 4,5% ao ano.

 

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