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Governo argentino decide ainda hoje flexibilização do "curralito"
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Membros do Ministério da Economia da Argentina irão se reunir ainda hoje para finalizar alguns pontos das medidas econômicas anunciadas na última quinta-feira. Entre elas, está incluída a flexibilização do "curralito" (as restrições bancárias) imposto quando Domingo Cavallo ainda era ministro e intensificadas pelo governo de Eduardo Duhalde.
O diretor do Banco Central, Aldo Pignanelli, disse hoje à edição online do diário ''Ámbito Financiero'' que o BC irá emitir os comunicados que regulamentam a flexibilização das restrições. Segundo eles, as medidas já devem entrar em vigência na próxima terça-feira.
Pressão popular
Pressionado pela crescente insatisfação popular, o governo argentino decidiu flexibilizar o congelamento de poupanças e depósitos bancários. As mudanças dão uma margem maior para os saques, mas os argentinos continuam impedidos de retirar a totalidade de suas economias. Atualmente os argentinos não podem sacar mais de 1.000 pesos por mês.
De acordo com as novas medidas, para as aplicações na moeda local, o peso, os saques seriam liberados até o teto de 7.000 pesos. Já quem quiser mexer nos depósitos em dólares terá como única opção resgatá-los em pesos. O teto é de US$ 5.000. A conversão será feita pelo câmbio oficial (1,40 peso por dólar), bem abaixo do flutuante, que ontem fechou a 2,10 pesos.
"Curralito" e bancos
O 'curralito' (curralzinho, o congelamento dos depósitos) foi criado em dezembro, quando Fernando de la Rúa era o presidente, com Domingo Cavallo na pasta da Economia. A idéia era conter a corrida aos bancos, devida ao medo da desvalorização.
Em seu primeiro discurso como presidente, no dia 1 de janeiro, o presidente Eduardo Duhalde havia prometido que as aplicações em dólares seriam honradas. 'Quem tem depósitos em pesos, irá sacá-los em pesos. Quem tem em dólares, sacará em dólares', tinha afirmado.
Mas Duhalde foi levado a descumprir a promessa, dada a pressão dos bancos. Como boa parte das dívidas foi 'pesificada', os banqueiros dizem que não têm como honrar depósitos em dólares recebendo em pesos.
Avanço
Ainda que Duhalde tenha voltado atrás, a flexibilização é um avanço em relação a posição anterior, segundo a qual os depósitos em dólares seriam liberados apenas a partir de janeiro do próximo ano. Cerca de 70% dos depósitos do sistema bancário argentino são denominados na moeda norte-americana.
Para o vice-ministro da Economia, Jorge Todesca, o governo 'não está forçando' que os correntistas optem pela conversão de suas economias em dólares para pesos. 'Mas a única maneira de usar esses recursos antes do cronograma fixado é fazendo isso em pesos', afirmou.
Todesca afirma que o objetivo é injetar um pouco de liquidez na economia, mas sem pôr em risco as reservas bancárias.
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