Preço do petróleo atinge novo recorde e chega a US$ 125
da Folha Online
O preço do petróleo registrou uma nova marca recorde nesta sexta-feira, atingindo US$ 125, com a desvalorização do dólar como principal fator a afetar as cotações da commodity.
Às 7h35 (em Brasília), o barril havia recuado ligeiramente para US$ 124,81 na negociação de pré-abertura da Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), mas estava em alta de 0,90% em relação ao encerramento de ontem (US$ 123,69). Em Londres, o barril do petróleo Brent também bateu recorde, chegando a US$ 123,97.
Os comentários feitos ontem pelo presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, foram vistos como sinal de que a taxa de juros do banco não deve cair nos próximos meses (ontem, o banco manteve a taxa em 4% ao ano), o que ajudou a manter o euro valorizado em relação ao dólar. Hoje a moeda chegou a ser negociada a US$ 1,5466, contra US$ 1,5404 ontem em Nova York.
Investimentos em commodities são vistos como uma garantia contra efeitos inflacionários. Segundo analistas, a desvalorização do dólar está na raiz do processo de alta do petróleo: com o dólar mais barato, o barril (que tem seus preços cotados em dólares) fica mais acessível, aumentando a pressão da demanda mundial pelo produto.
Nesta semana, o banco de investimentos Goldman Sachs informou em uma nota que o preço do petróleo pode chegar a US$ 200 dentro dos próximos dois anos, como parte de uma disparada provocada por dificuldades na ampliação da oferta mundial do produto.
"A possibilidade de chegarmos a ficar entre US$ 150 e US$ 200 por barril parece cada vez mais provável no período dos próximos seis a 24 meses, embora prever qual poderá ser o pico atingido pelos preços do petróleo, bem como a duração do ciclo de altas, permanece uma grande incerteza", diz a nota.
No fim do mês passado, o presidente da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), Chakib Khelil, disse a um jornal argelino que o preço da commodity pode atingir US$ 200. Ele disse ao jornal estatal argelino "El Moudhajid" que os preços podem subir até US$ 200, mesmo que considere que a oferta do produto é adequada, devido à desvalorização do dólar.
O ministro do Petróleo de Angola, Desidério Costa, disse ontem que os países produtores de petróleo não são responsáveis pelos preços recorde da commodity e que não estão lucrando com essa situação. 'O lucro não está indo para o produtor', disse Costa, durante a OTC (Offshore Technology Conference), maior evento da indústria de petróleo offshore no mundo, em Houston (Texas).
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