Dinheiro
09/05/2008 - 10h16

Petróleo em NY encosta em US$ 126; barril do Brent passa de US$ 125

da Folha Online

Em mais um dia de disparada dos preços do petróleo, os preços da commodity tanto em Nova York como em Londres cravaram novos valores recorde. A desvalorização do dólar vem agindo como o principal fator a afetar as cotações da commodity --além da pressão sobre a demanda e os temores de que a oferta se torne insuficiente.

Na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), o barril do petróleo cru, para entrega em junho, atingiu hoje a marca de US$ 125,98; às 9h59 (em Brasília), estava cotado a US$ 125,40 (alta de 1,38%). Na ICE Futures (Bolsa Intercontinental de Futuros, na sigla em inglês), o barril do petróleo Brent (referência na Europa) chegou a US$ 125,68.

Ontem, o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, sinalizou que, com a política do banco de combater a inflação nos países da zona do euro, a taxa de juros do banco pode não ser reduzida ainda por algum tempo --ontem, o BCE manteve sua taxa de juros em 4% ao ano.

Os comentários ajudaram a manter o euro valorizado em relação ao dólar: hoje a moeda chegou a ser negociada a US$ 1,5466, contra US$ 1,5404 ontem em Nova York. Investimentos em commodities são vistos como uma garantia contra efeitos inflacionários. Segundo analistas, a desvalorização do dólar está na raiz do processo de alta do petróleo: com o dólar mais barato, o barril (que tem seus preços cotados em dólares) fica mais acessível, aumentando a pressão da demanda mundial pelo produto.

Nesta semana, o banco de investimentos Goldman Sachs informou em uma nota que o preço do petróleo pode chegar a US$ 200 dentro dos próximos dois anos, como parte de uma disparada provocada por dificuldades na ampliação da oferta mundial do produto.

'A possibilidade de chegarmos a ficar entre US$ 150 e US$ 200 por barril parece cada vez mais provável no período dos próximos seis a 24 meses, embora prever qual poderá ser o pico atingido pelos preços do petróleo, bem como a duração do ciclo de altas, permanece uma grande incerteza', diz a nota.

No fim do mês passado, o presidente da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), Chakib Khelil, disse a um jornal argelino que o preço da commodity pode atingir US$ 200. Ele disse ao jornal estatal argelino 'El Moudhajid' que os preços podem subir até US$ 200, mesmo que considere que a oferta do produto é adequada, devido à desvalorização do dólar.

O ministro do Petróleo de Angola, Desidério Costa, disse ontem que os países produtores de petróleo não são responsáveis pelos preços recorde da commodity e que não estão lucrando com essa situação. 'O lucro não está indo para o produtor', disse Costa, durante a OTC (Offshore Technology Conference), maior evento da indústria de petróleo offshore no mundo, em Houston (Texas).

 

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